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08 de janeiro de 2020, 18h20

Comunidade indígena é atacada por seguranças particulares no Mato Grosso do Sul

Sete indígenas ficaram feridos, dos quais quatro estão internados no Hospital da Vida; entre as vítimas, está um indígena de 12 anos que teve os dedos das mãos amputados

Foto: reprodução/ CIMI

Seguranças privados voltaram a atacar comunidades indígenas em região de conflito de terras, no Mato Grosso do Sul. O ataque aconteceu na última quinta-feira (2), e famílias Guarani e Kaiowá, de áreas retomadas próximas à Reserva Indígena de Dourados, foram alvos durante 16 horas.

Segundo o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), sete indígenas foram feridos por balas de borracha e armas de fogo. Entre as vítimas, está um menino de 12 anos que teve os três dedos amputados após ser ferido por uma granada deixada pela polícia. Junto a três outras vítimas, ele está internado no Hospital da Vida. Os pacientes não correm risco de vida.

De acordo com Laurentino Guarani Kaiowá, o ataque permaneceu durante a noite, e houve reincidência após um período de calma durante a manhã. A ofensiva foi feita com o “caveirão”, um trator mecânico com chapas de ferro que passou por cima de quatro barracas. “Quatro famílias viviam neles com crianças, idosos. Não se importaram se tinha gente dentro. Passaram por cima”, disse o indígena.

O ruralista Luiz Antônio Nabhan Garcia, Secretário de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura enviado a Dourados na segunda-feira (6), afirmou ao portal Campo Grande News que “as pessoas precisam entender que ninguém tem direito a invadir propriedades alheias”.

Contudo, os indígenas contam que foram atacados também na aldeia, e não somente nas áreas de retomada em propriedade privada. “A polícia chegou na sequência atacando o povo. Seguranças devem ter chamado. Fechamos estrada como forma de protesto, não queremos mais isso contra a gente. A terra é do nosso povo. Polícia não importa com isso, vê a gente só como invasor. Atiraram na gente já na aldeia Atual, que não é retomada e está dentro da Reserva”, contou Laurentino. “Todo dia eles [seguranças] nos provocam, atiram na gente, xingam. Eles estão ali não é só pra vigilância, mas pra tirar indígena da terra. Tão aproveitando que tá todo mundo de festa de ano novo e atacando”, disse.

18 mil indígenas Guarani e Kaiowá e Terena vivem na Reserva de 3.475 hectares. Devido à insuficiência da extensão do território, a comunidade vem requisitando áreas que hoje são ocupadas por propriedade privada. “O que nós esperamos é que os proprietários entrem na Justiça em busca dos direitos, não contratando segurança para nos atacar porque também temos direitos”, afirmou Laurentino.


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