Hospitais das Forças Armadas bloqueiam civis e ficam com até 85% dos leitos de UTIs vagos

Bancada do PSOl na Câmara entrou com ação na PGR para que leitos de hospitais militares sejam ocupados por pacientes de Covid-19. Mais de 500 pessoas morreram por falta de leito de UTI somente em SP

Enquanto mais de 500 brasileiros já morreram somente em São Paulo por falta de vagas em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI), hospitais das Forças Armadas estão com até 85% dos leitos vagos, reservados para os militares, segundo informações divulgadas após determinação do Tribunal de Contas da União (TCU) nesta terça-feira (6).

O TCU investiga possíveis irregularidades por parte de Ministério da Defesa, Exército, Aeronáutica e Marinha ao não ofertarem a civis leitos destinados a pacientes com Covid-19 em unidades militares de saúde. Essas unidades consumiram pelo menos R$ 2 bilhões do Orçamento da União em 2020, segundo o próprio TCU.

Nesta quarta-feira (7), a bancada do PSOL na Câmara encaminhou ofício à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão para que sejam tomadas todas as medidas judiciais e extrajudiciais para a utilização dos leitos militares pelo Sistema Único de Saúde para toda a população. Além da disponibilização de leitos ociosos para o SUS, a bancada do PSOL solicita investigação e responsabilização sobre o caso.

“Destaca-se que, enquanto as Forças Armadas bloqueiam leitos em seus hospitais, brasileiros de todas as partes sofrem com o colapso generalizado da saúde. Em São Paulo, a ocupação de UTI-Covid em cidades do interior paulista
passa de 100%. Dezesseis estados e o Distrito Federal também estão com o sistema de saúde em colapso – Mato Grosso do Sul e Rondônia não têm vagas de UTI”, diz a petição.

Segundo a ação, enviada à PGR, “em tempos de pandemia do “novo coronavírus”, hospitais abarrotados, escalada nas mortes e sociedade fraturada, é preciso rememorar que a dignidade da pessoa humana é um fundamento da República Federativa do Brasil”.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.