Mandetta critica Eduardo Bolsonaro e Ernesto Araújo por ataques à China: ‘Geravam mal estar’

Na CPI do Genocídio, ex-ministro diz que filhos do presidente impediram reunião com embaixador da China no Palácio do Planalto. "Fiz por telefone", conta

O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19, nesta terça-feira (4), que tinha “dificuldades” com o ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), por ataques dos dois à China durante a pandemia.

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Mandetta explica que o Brasil dependia da China para a importação de insumos e, para isso, era necessário ter um “bom diálogo” com o país asiático.

“Eu dependia muito de insumos que estavam na China e que eu precisava trazer pra dentro do Brasil. Então, era mais do que necessário que tivéssemos um bom diálogo com a China. Então, eu tinha dificuldade com o ministro de Relações Exteriores. O filho do presidente que é deputado, o Eduardo, tinha rotas de colisão com a China, através do Twitter, um mal estar”, disse.

O ex-ministro conta ainda que os filhos do presidente impediram que ele realizasse uma reunião com o embaixador da China no Palácio do Planalto. “Eu fui até o Palácio e estavam todos lá, todos os filhos do presidente, disse que precisava conversar com o embaixador da China e não deixaram trazer. Fiz por telefone”, conta Mandetta.

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Luisa Fragão

Jornalista.