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08 de fevereiro de 2020, 11h47

Corregedoria considera que a PM agiu em “legítima defesa” durante massacre de Paraisópolis

O conselheiro do Condepe, Ariel de Castro Alves, acha que a decisão pode gerar uma verdadeira “licença para matar”

Foto: Reprodução

A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo pediu, nesta sexta-feira (7), arquivamento da investigação que apura a conduta dos 31 PMs na tragédia de Paraisópolis. A Polícia Civil, por meio do DHPP, por sua vez, ainda investiga a operação da PM durante o baile funk realizado no bairro da Zona Sul de SP em dezembro.

Apesar das nove mortes, a Corregedoria da PM concluiu que a ação dos policiais foi lícita e eles agiram em legítima defesa. O documento assinala ainda que os PMs sequer praticaram infração militar. O relatório é assinado pelo encarregado do inquérito, capitão Rafael Oliveira Cazella. As conclusões dele foram referendadas pelo subcomandante da Polícia Militar de São Paulo.

O advogado, conselheiro do Condepe (Conselho Estadual de Direitos Humanos) e membro do Grupo Tortura Nunca Mais, Ariel de Castro Alves, considerou “lamentável e inaceitável que a Corregedoria da PM tenha considerado a ação policial em Paraisopolis como Licita”. Para ele, a decisão pode gerar uma verdadeira “licença para matar”, “legitimando novas ações violentas e desastrosas de policiais em bailes que reúnem centenas e milhares de adolescentes nas periferias”.

Ariel considera que “os policiais deveriam ser responsabilizados por homicídio doloso, no chamado dolo eventual. Ao jogarem bombas de gás lacrimogêneo, realizarem disparos de balas de borracha e agressões com cassetetes, socos e chutes, além da pressão com o uso das viaturas, visando a dispersão dos adolescentes e jovens em vielas e becos sem saída, eles assumiram o risco de gerar a tragédia, com as mortes”, afirmou.

Mãe se diz “transtornada”

Maria Cristina Quirino, mãe de Denys Henrique Quirino, morto aos 16 anos no massacre, se diz “transtornada” com a notícia. “Aumenta a nossa dor. Acreditava que a Corregedoria ia entender que a ação deles não foi a correta. Se não fosse a ação naquela situação, nove pessoas não teriam morrido, incluindo meu filho”, lamentou.

A mãe diz que perdeu a admiração e confiança que tinha na PM com a morte de seu filho e, agora, também perdeu a que tinha na Corregedoria. “Eu sei que eles vão defender o lado deles. Eles têm que entender que o lado deles também erra, também é falho. Todo ser humano é falho. Como se fala que é uma ação legal, que é legitima defesa? Se eles agiram em legítima defesa, como meu filho se defendeu?”, completou.

Segundo a mãe, sua última esperança de alento com a morte de Denys Henrique está no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, órgão da Polícia Civil que também investiga o crime. “Tiram nosso chão, o mínimo que esperava era conscientização, de admitir que existiu erro. A vida do meu filho ninguém vai devolver. Justiça eu já não acreditava, mesmo”, admitiu.

Verdadeiros responsáveis

A defesa dos policiais disse em nota que a decisão da Corregedoria “condiz com a lógica adotada pela defesa desde o início do processo” e que “não há como apurar nexo de causalidade entre a conduta dos policiais na ocorrência e as lamentáveis mortes ocorridas, conforme falamos desde o princípio”.

A nota diz ainda que “espera que as investigações a partir de agora, finalmente, centrem esforços para apurar quem são os verdadeiros responsáveis pela tragédia, visando evitar tristes ocorrências dessa natureza”, completa.

Com informações do G1 e da Ponte

 

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