Fórumcast, o podcast da Fórum
12 de julho de 2017, 11h57

Cristovam Buarque tenta justificar traição na reforma trabalhista

Senador Cristovam Buarque escreve em seu site: “Criamos nossos próprios obstáculos que nos amarram. A principal causa disto tem sido a dominação das estruturas sociais pelas elites”. E, contraditoriamente, vota junto com as elites mais reacionárias deste país

 

Por Frédi Vasconcelos   Imagem: reprodução Twitter

 

Em texto em seu site (leia na íntegra aqui), o senador Cristovam Buarque tenta justificar por que votou a favor da reforma trabalhista do governo Temer. Num texto confuso, em que começa na escravidão, passa pela revolução industrial e vem até os dias atuais, argumenta que

não temos conseguido acompanhar o progresso dos países ricos, com elevado nível civilizatório, porque sempre nos recusamos a fazer as reformas que toda sociedade necessita para ajustar-se às transformações que ocorrem no mundo: fugimos do progresso como uma nação conservadora, presa ao passado. Criamos nossos próprios obstáculos que nos amarram. A principal causa disto tem sido a dominação das estruturas sociais pelas elites. A falta de sentimento nacional e de compaixão de nossa elite nos fez manter o obstáculo do latifúndio e da escravidão, amarrando nosso progresso...

Faltou explicar por que se aliou com essa mesma elite, numa emenda apoiada por elas, que retira direitos dos trabalhadores. Como se as leis trabalhista é que emperrassem o desenvolvimento do País, não a ação das elites que critica e apoia.

Em outro trecho diz:

Mas continuamos um país sem produtividade elevada, com reduzidíssima capacidade para a inovação, com um número estável ou crescente de cidadãos analfabetos, incapazes até de ler a palavra progresso escrita na bandeira, uma sociedade com a pobreza persistente que não reduz a concentração da renda, sem educação, imersa na violência e na corrupção. Esses são os obstáculos que nos amarram e nos condenam ao fracasso como país.

Faltou explicar como as reformas aprovadas ontem vão ajudar a diminuir o analfabetismo ou a pobreza, se as medidas concentram ainda mais riqueza e diminuem os direitos dos mais pobres. E como sairemos da corrupção se participou do golpe contra a presidente Dilma e está na base de apoio a um presidente denunciado por corrupção passiva.

Sobre o trabalhador ter de fazer até 12 horas por dia e compensar num banco de horas, tal qual  Pollyana, a personagem que era otimista e enxergava tudo cor de rosa, escreve:

O trabalhador, em acordo com o empregador, poderá definir a estrutura das férias e mesmo o número de horas de trabalho a cada dia, aumentando até o limite de 12 horas em um dia e usando um banco de horas para reduzir a jornada em outros dias, como diversas categorias já fazem depois de conquistarem este direito que a reforma agora oferece a todos.

Não se sabe em que mundo o senador vive, mas a reforma não foi feita para dar ao trabalhador o direito de trabalhar a hora que quiser. Ao contrário, terá de ficar até doze horas num dia que tiver mais trabalho e compensar quando o patrão quiser.

Sobre o trabalho intermitente, que pode fazer uma pessoa ganhar menos que o salário mínimo, escreve:

Sou favorável ao que se está chamando de trabalho intermitente porque ele será a base para a contratação de trabalhadores desempregados e subempregados por empresas que não precisam do trabalhador em caráter permanente. Daqui para frente, querendo ou não, o trabalho deste tipo será cada vez mais frequente.

Com 14 milhões de desempregados, não é preciso dizer que a pessoa vai se sujeitar às piores condições possíveis e trabalhar algumas horas por dia ou na semana, acabando, na prática, com o salário mínimo.

E como quem faz acordo com o demônio esquece que é traído e tem de entregar a alma, escreve:

O presidente da República enviou ao Senado Federal, na pessoa de seu Líder, carta assumindo o compromisso de vetar questões apontadas pelo relator da reforma, senador Ricardo Ferraço e, concomitantemente a editar Medida Provisória contendo as modificações que forem negociadas entre os parlamentares, seu relator e o Líder do governo no Senado.

Hoje, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, já declarou que não aprovará medida provisória nenhuma. O presidente do Senado, Eunício Oliveira, também já disse que não participou de nenhum acordo para mudar pontos controversos (leia aqui).


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum