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05 de março de 2019, 16h06

Daniela Mercury dá “aula” sobre Lei Rouanet, Carnaval e economia a Bolsonaro

Pelo Twitter, presidente provocou Daniela Mercury e Caetano Veloso como um vídeo sobre a Lei Rouanet e a cantora respondeu com um texto em que detalha os incentivos que recebeu, fala sobre a economia movimentada com o carnaval e rebate: "Mereço respeito"

Foto: Leon Rodrigues/ Secom

Considerada uma das artistas mais importantes do Brasil, a cantora Daniela Mercury, através de uma nota oficial divulgada na tarde desta terça-feira (5), deu uma verdadeira “aula” sobre Lei Rouanet, economia e carnaval ao presidente Jair Bolsonaro.

No texto, veiculado em suas redes sociais, Daniela rebate uma provocação feita mais cedo por Jair Bolsonaro contra ela e o cantor Caetano Veloso. Pelo Twitter, o capitão da reserva postou um vídeo de um homem cantando uma marchinha dedicada aos dois artistas que diz que “o carnaval não está proibido”, mas “não será feito com o dinheiro do povo”. Como legenda do vídeo, Bolsonaro escreveu: “Dois ‘famosos’ acusam o Governo Jair Bolsonaro de querer acabar com o Carnaval. A verdade é outra: esse tipo de “artista” não mais se locupletará da Lei Rouanet”.

A provocação de Bolsonaro está relacionada à música “Proibido o carnaval”, lançada no mês passado por Daniela e Caetano. A canção faz referência à fala da ministra Damares Alves (“meninos vestem azul e meninas vestem rosa”) e tem uma mensagem clara contra a censura.

“Sr. Presidente, sinto muito que não tenha compreendido a canção ‘Proibido o Carnaval’, que defende a liberdade de expressão e é claramente contra a censura”, escreveu a cantora, que prosseguiu detalhando os incentivos que já recebeu e explicando como o carnaval movimenta a economia brasileira.

“Para que compreenda melhor, apenas com 1 ano do sucesso O Canto da Cidade (uma música ‘famosa’ minha), Salvador ganhou 500 mil turistas a mais. Mais um exemplo: eu tenho cerca de 50 milhões de reais de retorno de mídia espontânea em cada carnaval de Salvador. Esse retorno, a partir de minhas apresentações (6 horas por dia cantando e dançando sem parar nem para comer – somadas a mais 5 horas prévias de preparação – e mais 2 horas pós apresentação para recuperação da voz e do corpo – durante 6 dias seguidos) traz uma valorização gigantesca para a imagem da cidade, do estado e do país. Tudo isso estimula o turismo e turbina a economia”, escreveu a cantora.

Daniela ainda propôs um encontro com Jair Bolsonaro para que ela possa explicar ao presidente como funciona a Lei Rouanet. “Se assim desejar, irei com minha esposa, que é também minha empresária, até Brasília para conversar com o senhor sobre o assunto”.

Caetano Veloso, por sua vez, não se pronunciou sobre a provocação de Bolsonaro.

Confira, abaixo, a íntegra da nota de Daniela.

Sr. Presidente, sinto muito que não tenha compreendido a canção ‘Proibido o Carnaval’, que defende a liberdade de expressão e é claramente contra a censura. Mas acho que isso nem vem ao caso aqui porque percebo que há uma distorção muito grave sobre a lei Rouanet. Parece que ela ainda não foi compreendida. Por isso, me coloco à disposição para explicar como funciona o passo a passo dessa lei. E aproveito para tranquilizá-lo. Usei muito pouco de verba pública de impostos da lei Rouanet em cada projeto que tive aprovado. Para que o senhor entenda, cada desfile de trio sem cordas (sem cobrança de ingresso, de graça para os foliões), custa cerca de 400 mil reais. Em 20 anos, Eu tive apoio (TUDO DENTRO DA LEI) de cerca de um milhão de reais de verba de impostos da lei rouanet. 1 milhão em 20 anos, ressalto!!! Dá cerca de 50 mil reais por ano, se assim dividirmos. Considere, sr. Presidente, que eu comecei o movimento de trios sem cordas, de graça para o público, há 21 anos. Eles custaram, por baixo, cerca de 10 milhões de reais! Se tive cerca de 1 milhão de verba pública nesses 20 anos, isso significa que o restante (9 milhões) paguei ou do MEU BOLSO diretamente ou com o patrocínio de empresas privadas. Em 35 anos de carreira, fiz muitas apresentações de graça no Brasil, bancadas do meu bolso. Essa fake news sobre a lei Rouanet criada na eleição não pode continuar sendo usada para desmerecer o trabalho sofrido e suado dos artistas brasileiros. A arte, além de tudo, tem um valor imensurável e o retorno do nosso trabalho para a sociedade, para o turismo, pra a economia é gigante. Para que compreenda melhor, apenas com 1 ano do sucesso ‘O Canto da Cidade’ (uma música “famosa” minha), Salvador ganhou 500 mil turistas a mais. Mais um exemplo: eu tenho cerca de 50 milhões de reais de retorno de mídia espontânea em cada carnaval de Salvador. Esse retorno, a partir de minhas apresentações (6 horas por dia cantando e dançando sem parar nem para comer – somadas a mais 5 horas prévias de preparação – e mais 2 horas pós apresentação para recuperação da voz e do corpo – durante 6 dias seguidos) traz uma valorização gigantesca para a imagem da cidade, do Estado e do país. Tudo isso estimula o turismo e turbina a economia. Tenho visto que estimular o turismo é um objetivo do senhor. Não se engane: trabalhamos muito. Quando se ataca a arte de um país, quando se ataca os “artistas” brasileiros, se ataca a alma do povo desse país. Mereço respeito pelo que sou, pelo que represento e pelo que faço constantemente pela sociedade brasileira em diversas causas, não apenas na arte. Reitero aqui a minha disposição de conversar com o senhor e com sua equipe sobre a lei Rouanet. Se assim desejar, irei com minha esposa, que é também minha empresária, até Brasília para conversar com o senhor sobre o assunto. Abraços e feliz carnaval.


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