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07 de junho de 2019, 18h43

Desmatamento ilegal derruba 13 milhões de árvores em dois meses no Xingu

Segundo Instituto Socioamebiental (ISA), 78% do desmatamento ocorrido entre março e abril na região matogrossense da Bacia do Xingu é ilegal. O ISA alerta também para uma preocupante redução do número de autuações do Ibama no local

Foto: Ricardo Abad/ISA

Segundo dados divulgados Instituto Socioambiental (ISA), apenas nos meses de março e abril desse ano 13,8 mil hectares de floresta amazônica foram desmatados na região do Mato Grosso da bacia do Xingu, sendo 78% fruto de desmatamento ilegal – o equivalente a 13 milhões de árvores. Ainda segundo o ISA, o número de autuações do Ibama caiu cerca de 35% em comparação com o ano passado.

Para o instituto, apenas com a análise de imagens de satélite da região já é possível ver que a área desmatada na bacia do Xingu cresce de mês a mês. No entanto, somente com os dados de relatório da Rede Xingu +, uma rede de organizações de povos indígenas e de comunidades tradicionais da bacia do rio Xingu, divulgado pelo ISA, é possível mensurar o real impacto da exploração ilegal na região: 11 mil dos quase 14 mil hectares.

Segundo dados da Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso (SEMA-MT) disponibilizados pelo ISA, entre 2015 e 2016, 98% das áreas desmatadas no estado não tinham autorização, já entre 2016 e 2017 a taxa atingiu 94% – demonstrando que a atividade ilegal é notória no estado.

“O alto percentual de desmatamento ilícito expressa a ineficácia dos instrumentos existentes de combate ao crime ambiental. Esse quadro pode piorar com a chegada da estação da seca, quando os números de desmatamento tendem a crescer”, alerta Ricardo Abad, especialista em sensoriamento remoto do ISA.

O instituto também demonstra preocupação com uma nas autuações de crime ambiental por parte do Ibama, que é responsável pelas ações de combate ao desmatamento. Se for comparado o números de autuações durante período de janeiro a maio desse ano com o do ano passado, se nota uma redução de 35%. “É preocupante que, em um momento em que o desmatamento ilegal avança, a atuação do instituto fiscalizador seja reduzida. A fiscalização e responsabilização são etapas essenciais no combate às atividades ilegais”, comenta Abad.

Em março houve uma expansão de 461% no desmatamento detectado em Unidades de Conservação na bacia do Xingu em relação ao mês anterior. Só na Floresta Nacional (Flona) de Altamira, de jurisdição federal, houve um aumento de 550% em abril, com 242 hectares desmatados associados a garimpo ilegal.

O Ibama foi procurado pela reportagem, que aguarda posicionamento.

A Bacia do Xingu

A bacia do Xingu possui uma área de 51 milhões de hectares, com 31 Terras Indígenas e 21 Unidades de Conservação, abrangendo mais de 60 municípios no Pará e Mato Grosso. A região, segundo o ISA, comporta uma sociobiodiversidade única, que corre sério risco com o avanço do desmatamento, da grilagem, do garimpo, do roubo de madeira e da contaminação da paisagem por agrotóxicos.


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