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17 de junho de 2019, 15h33

Detidos na greve geral em São Paulo são liberados após audiência de custódia

Funcionários e alunos da USP terão de comparecer a cada três meses ao fórum para responder por incêndio a carro no qual negam participação

São Paulo, 14.jun.2019 - Véiculo queimado em protesto diante do Deic seria motivação para a detenção de manifestantes na greve geral (Gustavo Basso/Revista Fórum)

Os dez estudantes e funcionários da Universidade de São Paulo (USP) que haviam sido detidos na sexta-feira (14), durante manifestação vinculada à greve geral contra a reforma da previdência e os cortes na educação foram liberados neste final de semana após a audiência de custódia. Eles passaram a noite de sexta para sábado na carceragem do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais).

Os nove homens e uma mulher que foram detidos por suposto envolvimento no incêndio de um carro no protesto realizado na zona oeste de São Paulo receberam liberdade provisória após se apresentarem à juíza Bruna Acosta Alvarez. Eles terão, no entanto, que comparecer trimestralmente ao fórum.

Segundo o advogado Pedro Paulo Sodré, responsável pela defesa de um dos detidos, o MP (Ministério Público) pediu a manutenção da prisão para três dos averiguados, “porém a juíza relaxou o flagrante em relação a algumas das imputações, e determinou liberdade provisória a todos”.

Na sexta-feira o delegado Fabiano Fonseca Barbeiro, da 2ª Delegacia de Polícia de Investigações sobre Crimes Patrimoniais de Intervenção Estratégica do Deic, acusou os dez por incêndio, dano qualificado, desacato e resistência à prisão, em associação criminosa.

“É um absurdo. Todos são acusados dos mesmos crimes, mas existe uma descrição mínima – e arbitrária – de quem teria feito o quê”, afirma Sodré, apontando que as únicas testemunhas são os policiais militares responsáveis pelas detenções, com exceção de um ambulante “levado como mera formalidade”.

Um carro foi queimado durante o protesto no entroncamento das avenidas Vital Brasil e Francisco Morato, o que teria motivado os policiais a perseguir manifestantes até mesmo dentro da USP. Uma das ativistas, aluna de Letras que preferiu não se identificar, chamou a atenção para detalhes, segundo ela, estranhos em relação ao incêndio.

“O carro não estava tentando furar o bloqueio e foi abandonado em uma ‘ilha’ no meio da avenida; depois de queimado, o condutor nem mesmo prestou queixa”, afirma. Os estudantes e funcionários negam participação no caso. Segundo a defesa, os envolvidos estavam encapuzados, o que não permitiria aos policiais a identificação, e as roupas não batem com imagens feitas do ocorrido.

Outros manifestantes denunciaram abuso de autoridade por parte dos PMs e que os detidos permaneceram horas sem comida ou acesso a banheiro no Deic.


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