Dirigente do Corinthians é denunciado por xenofobia contra médica nordestina, diz blogueiro

Cirurgião, Jorge Kalil não quis cumprir protocolo de anestesia exigido pela médica afirmando que era “apenas uma cirurgia de varizes” e que “não dá processo”

O médico Jorge Kalil, diretor-adjunto de futebol do Corinthians, foi processado por uma médica anestesiologista em setembro de 2019. Durante uma cirurgia no Hospital e Maternidade Santa Maria, em São Paulo, Kalil ofendeu Ione Vasconcelos de Albuquerque por suas origens nordestinas após ela exigir respeito ao protocolo necessário para a cirurgia de varizes em um paciente.

Para a cirurgia em questão, de varizes nos membros inferiores, seria necessário aguardar um jejum de oito horas. Kalil, no entanto, quis antecipar o procedimento anestésico, o que foi negado pela profissional da área. O médico então disse que “não dá processo” descumprir o protocolo e, com a insistência de Ione, passou a ofendê-la.

“Só se for a Literatura do Nordeste que determina isso, pois aqui não”, disse Kalil à anestesiologista. Ione é formada pela Universidade Federal de Alagoas e possui mais de 20 anos de atuação na área. Segundo trechos do processo da médica contra Kalil, compartilhados em reportagem do blog do Paulinho, Kalil ainda chamou Ione de “idiota” e a expulsou da sala.

“A Requerente, no entanto, mantendo-se firme em sua postura ética e com a responsabilidade profissional com que sempre pautou sua atividade, argumentou que era a literatura atualizada em anestesiologia que determinava o tempo mínimo de oito horas de jejum para cirurgias eletivas, ao que o Requerido respondeu: ‘só se for a Literatura do Nordeste que determina isso, pois aqui não’”, diz o documento.

“Ainda no mais absoluto desrespeito à Requerente, o Requerido chamou-a de ‘idiota’ e determinou que ela se retirasse, pois não a queria mais em sua sala de cirurgia”, continua.

A médica Ione representou contra Kalil no Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e formalizou Boletim de Ocorrência por injúria, além de promover ação judicial, em que pede indenização de R$ 80 mil a título de danos morais.

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Luisa Fragão

Jornalista.