Ditadura: jovem que fez tuíte contra Bolsonaro é preso com base na Lei de Segurança Nacional

PM invocou lei da ditadura militar para prender rapaz que, em tom de piada, perguntou "quem fecha virar herói nacional" ao comentar a visita de Bolsonaro a Uberlândia

Um jovem de 24 anos foi preso em flagrante na madrugada desta quinta-feira (4), em Uberlândia (MG), por conta de um tuíte, segundo ele em tom de piada, contra o presidente Jair Bolsonaro.

O serviço de inteligência da Polícia Militar de Minas Gerais considerou a postagem de João Reginaldo da Silva Júnior uma incitação à prática de crime contra a segurança nacional. Tal crime está descrito na Lei de Segurança Nacional (LSN), mecanismo criado na ditadura militar para punir opositores ao regime.

“Gente, Bolsonaro em Udia [Uberlândia] amanhã… Alguém fecha virar herói nacional?”, escreveu o jovem, que chegou a ser respondido por outros internautas que agora estão na mira da Polícia Federal.

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Segundo o portal G1, que teve acesso ao boletim de ocorrência, Silva foi preso na residência em que mora com os pais encaminhado até a Delegacia da Polícia Federal em Uberlândia. Ele teve a prisão ratificada pelo delegado e, na sequência, foi conduzido para o Presídio Uberlândia 1.

“Propaganda e incitação à prática de crimes contra a integridade física e a vida do Exmo. Presidente da República Jair Messias Bolsonaro com promessas de que tais ameaças se concretizariam durante a sua passagem nesta cidade de Uberlândia na data de hoje”, afirma o serviço de inteligência da PM sobre a postagem do jovem.

À PF, Silva confirmou ser o autor da postagem, mas afirmou que ela se deu em contexto de humor, e que sequer conhece as pessoas que a responderam.

Os pais do jovem aguardam sua liberação e orientação dos advogados para falarem sobre o caso.

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Confira, abaixo, a íntegra do auto de prisão em flagrante do rapaz.

Outra prisão por falar mal de Bolsonaro

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Também nesta quinta-feira (4), André Constantine, liderança de movimento de favelas no Rio e militante do PT, foi preso pela Polícia Militar do Rio de Janeiro durante ato realizado no centro da capital carioca.

Conforme vídeo divulgado pelo Brasil 247, onde Constantine é colunista, o ativista discursava sobre a situação do país na pandemia do novo coronavírus, criticava o governo Bolsonaro e a polícia que, afirmou, “mata preto e favelado todos os dias”.

Após dizer a frase um PM arrancou o microfone do ativista e o levou preso. Segundo informações do 247, Constantine teria sido levado para a 5ª Delegacia de Polícia.

O ato era contra o armamento da Guarda Municipal do Rio.

Segundo o deputado estadual Waldeck Carneiro, de quem o ativista é assessor, Constantine já foi liberado. “O aguerrido André Constantine, colaborador do nosso mandato popular e coletivo, foi levado pela PM de maneira ARBITRÁRIA enquanto se manifestava contra o armamento da Guarda Municipal do Rio. André já foi liberado e está em segurança. Como ele sempre diz: Favela NÃO se cala! Resistiremos!”, tuitou.

Diversas lideranças e entidades já se manifestaram contra a prisão de Constantine. “Vivemos tempos de ditadura. PM interrompe manifestação e prende ativista André Constantine que denunciava, em ato na Cinelândia, assassinatos de negros e pobres praticados pela Polícia Militar. André é militante do movimento de favelas”, escreveu a CUT Rio.

Saiba mais aqui.

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Ivan Longo

Jornalista, editor de Política, desde 2014 na revista Fórum. Formado pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Twitter @ivanlongo_

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