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14 de dezembro de 2019, 17h05

Doria lança “Favela Fest” duas semanas após massacre em baile funk de Paraisópolis

A proposta do festival foi bastante criticada nas redes sociais e o governador foi comparado com "farialimers"

Foto: Reprodução

Apenas 13 dias após ação da Polícia Militar deixar nove jovens mortos na favela de Paraisópolis, o governador de São Paulo, João Doria, anunciou a criação de um festival de música, “Favela Fest”, com o objetivo de “criar alternativas” aos bailes funk paulistas. O anúncio gerou inúmeras críticas nas redes sociais.

O governador fez uma postagem no Twitter dizendo que o projeto “vai valorizar ainda mais a música, a dança e a cultura das comunidades, oferecendo alternativa de lazer aos jovens que vivem em regiões vulneráveis nas grandes cidades do Estado de São Paulo”. U mdos objetivos seria o esvaziamento dos tradicionais “pancadões”.

Nas redes, a proposta foi alvo de muitas críticas. Usuários avaliaram que a solução é uma forma de “gourmetização” da cultura popular e chamaram Doria de “faria limer”, em referência a reportagem da Veja sobre jovens de classe média alta.

“Favela Fest no Memorial da América Latina. Para o BolsoDoria, favelado é um animal ornamental a ser apreciado (e avaliado) pelos ricos e pela classe média. É um problema e um incômodo a celebração na periferia”, criticou o usuário Rafael Oliveira.

Monica Seixas, que atua como co-deputada estadual da bancada ativista do PSOL na Assembleia Legislativa de São Paulo, também condenou o “torneio com nome em inglês (Favela Fest 🤦🏿‍♀️) para artistas periféricos competirem entre eles”. Seixas listou diferentes projetos que poderiam ser adotados com o objetivo de valorizar a cultura periférica, como Pontos de cultura, investimento em projetos culturais independentes, espaços de lazer nas periferia e investimento em educação.

O uso do festival como jogada de marketing após o episódio de Paraisópolis também foi criticado. “Querer administrar um país ‘como se fosse uma empresa’ é bem coisa de ‘farialimer’ ignorante, treinado p ganhar dinheiro, q não investe em conhecimento geral ou aprende o que é conviver em sociedade. Bem pior que isso é pretender governar um Estado usando apenas gestão de marketing”, tuitou a jornalista Barbara Gancia.

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