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15 de março de 2019, 19h05

“É uma questão familiar”, diz PM sobre feminicídio no Paraná

A deputada Maria do Rosário demonstrou revolta com a declaração de um PM, que tentou justificar a demora para atender a um chamado de um caso de feminicídio: "Se o marido mata a esposa, infelizmente é uma questão familiar"

Reprodução

O brutal assassinato a facadas de Daniela Eduarda Alves, após uma briga com o marido Emerson Bezerra, em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba (PR), teve mais um componente trágico. Uma vizinha da vítima denunciou que fez inúmeras ligações à polícia para comunicar as agressões e que houve demora no atendimento.

“Foram várias ligações, várias. Desde os gritos até quando parou de responder”, disse a vizinha, que optou por não se identificar. Segundo informações do Ministério Público do Paraná (MP-PR), pelo menos oito chamadas foram feitas à Polícia Militar.

A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) postou em suas redes sociais uma mensagem, na qual demonstrou sua revolta com a declaração feita por um representante da PM do Paraná, sobre a demora da corporação em atender ao chamado.

‘“Se o marido mata a esposa, infelizmente é uma questão familiar”’. Afirma autoridade do governo do Paraná justificando a demora em atender denúncia de vizinhos de q mulher estaria sendo morta! 8 ligações foram feitas! O nome dela era DANIELA e deixa uma filha. Incompetentes!”, desabafou a parlamentar.


“Briga de casal”

Em entrevista à RPC, nesta sexta-feira (15), o tenente-coronel da Polícia Militar Manoel Jorge dos Santos Neto afirmou que “foi uma briga de casal. Há uma necessidade de atendimento prévio que a família por certo também sabia”, disse.

“É óbvio, a vida da Daniela se foi, nós não temos como trazê-la de volta, a Polícia Militar está consternada com este fato. Tanto que desde a época que o fato ocorreu, nós tomamos medida de melhorar esse atendimento, a nossa tábua de prioridade obviamente que vai ser melhor. Mas veja, é uma questão de atendimento familiar. Se o marido mata a esposa, infelizmente é uma questão familiar que daí se torna um crime”, tentou justificar o tenente-coronel.

Conforme indica o registro de chamados, a primeira ligação dos moradores para a polícia ocorreu 1 hora da madrugada. Emerson matou Daniela à 1h40. De acordo com a própria polícia, a viatura chegou ao local do crime somente às 2h20.

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