Edinho Silva, sobre lockdown em Araraquara: “Sem vacina em massa, é a única forma de conter o vírus”

Diante da presença na nova variante de Manaus na cidade, prefeito rapidamente adotou medidas mais restritivas de isolamento social para evitar colapso

Araraquara, cidade a 279 quilômetros de São Paulo, foi exemplo no combate ao coronavírus, no ano passado, sendo, inclusive, uma das cidades do Brasil que mais realizaram testes e uma das menores taxas de letalidade. A gestão na pandemia chegou a ser destaque no jornal francês Libération, em setembro. Na última semana, o município voltou ao noticiário, pois o prefeito Edinho Silva (PT) anunciou que havia detectado a presença da variante de Manaus do coronavírus.     

“Há 15 dias notamos uma mudança nos perfis da contaminação e da evolução da doença. Notamos uma mudança, um ritmo de contaminação maior, mais pessoas procurando as nossas unidades para diagnóstico, portanto era nítido que tinha um crescimento da contaminação no município, além daquele que nós esperávamos em decorrência das festas de fim de ano”, explicou Edinho, em entrevista ao programa Fórum Onze e Meia desta quarta-feira (17).  

 “A Covid-19 tradicionalmente evolui com pacientes acima de 60 anos, com comorbidades ou enfrentando alguma fragilidade de saúde. Esse era o perfil de paciente que a doença evoluía, dificilmente tínhamos evolução em pacientes jovens e saudáveis. O que observamos no final de janeiro foram pacientes clinicamente saudáveis evoluindo muito rápido. Óbitos de pacientes jovens. Muito acima do que historicamente registramos.”

Diante do cenário, Edinho Silva enviou amostras de testagens ao Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo, que detectou a presença na nova variante amazônica em Araraquara. “Imediatamente acendemos todos os sinais de alerta”, disse.

“A curva de contaminação é vertiginosa e a pressão sobre os leitos, imensa. O sistema entrou em colapso, sem leitos. Não temos vacinação em massa, vacinamos até agora 15 mil habitantes, é muito pouco para uma cidade de cerca de 240 mil habitantes. Esta semana, por exemplo, não recebemos nenhum lote. Sem vacina em massa, a única forma de controlar o vírus é o isolamento.”

Edinho Silva também destacou que o crescimento da contaminação que eles identificaram na cidade vai pressionar os leitos na semana que vem. “As medidas restritivas que adotamos agora vão fazer com que as contaminações caiam daqui a uma semana.”

Assista à entrevista completa a partir do minuto 20:

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Dri Delorenzo

Jornalista, especializada em Meio Ambiente e Sociedade (FESPSP) e mestre em Comunicação Digital pela UFABC. É editora executiva da Revista Fórum.

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