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29 de dezembro de 2019, 19h31

El País sobre desemprego: Brasil se equilibra numa bicicleta alugada

Um dos personagens retratados pela reportagem é Mike Nunes Bizerra, de 23 anos, que faz entregas por aplicativo de bicicleta que aluga do Itaú por 20 reais mensais para uso diário

Capa do site do El País (Reprodução)

A informalidade no mercado de trabalho brasileiro cresceu vertiginosamente no últimos anos e, com ela, a precariedade das condições do trabalhador. Em reportagem publicada neste domingo (29), o jornal espanhol El Pais analisa essa realidade a partir de histórias de motoristas e entregadores por aplicativo.

John Erick da Silva, de 34 anos, se tornou motorista de Uber após perder o emprego em 2017. O carro foi financiado em 60 meses e ele chega a trabalhar por 16 horas seguidas, além de não tirar férias. “É um serviço quase em tempo integral. Trabalho de domingo a domingo, só paro no rodízio do meu carro na quinta-feira. Ser Uber vale a pena, mas é preciso ralar muito para pagar o aluguel. Eu estou com várias contas atrasadas, no vermelho”, conta.

Já Mike Nunes Bizerra, 23, faz entregas por aplicativo de bicicleta, que aluga do Itaú por 20 reais mensais para uso diário. “Trabalho cinco dias por semana, do meio-dia até de noite. Ganho cerca de 400 reais por semana. No fim do mês, é algo parecido com o que recebia no supermercado [onde trabalhava], mas sem nenhum direito trabalhista”, disse ao El País. Mike também comenta que fica impedido de trabalhar em dias de chuva e pretende tirar licença para fazer entregas de moto em 2020, mas o ideal seria um emprego de carteira assinada.

Outros depoimentos colhidos pelo El País revelam que a impossibilidade de poupar para a aposentadoria também é uma preocupação de quem trabalha com o mercado informal. Em 2018, o número de pessoas que trabalham com veículos aumentou em 29,2%, chegando a 3,6 milhões, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada em dezembro. Isso totaliza 810.000 pessoas a mais do que em 2017.

O número de pessoas que trabalham em local designado pelo empregador, que inclui entregadores por moto e bicicleta, também aumentou e registrou a maior alta desde 2012. O número foi de 10,1 milhões em 2018, 10% a mais do que no ano anterior. Atualmente, 38,8 milhões de brasileiros trabalham no mercado informal. A pesquisadora do IBGE Adriana Beringuay afirmou que é preciso considerar essa informação quando se fala na diminuição do desemprego: “Analisamos a evolução do ponto de vista qualitativo ou quantitativo? Claro que é importante o crescimento da população ocupada em 2019, mas ele foi construído em cima de um trabalhador por conta própria, uma empresa sem CNPJ e um empregado sem carteira”.

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