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08 de março de 2018, 22h07

ELAS nas Exatas debate equidade de gênero no ensino médio do país

O 1º Seminário Elas Nas Exatas e o III Diálogo ELAS nas Exatas acontecem entre os dias 19 e 21 de março, no Rio de Janeiro

Quando se fala que “Lugar de mulher é onde ela quiser”, isso inclui laboratórios e centros de investigação nas áreas tecnológicas e exatas – territórios (ainda) dominados por homens, embora existam exceções honrosas de mulheres que desenvolvem trabalhos inovadores e pesquisas de ponta. Para incentivar que mais jovens meninas se aproximem dessas áreas, o Fundo ELAS selecionou, via edital, dez projetos das cinco regiões do País, que desenvolverão ações e atividades nesse sentido, ao longo de 2018, e promove em março, juntamente com o Instituto Unibanco, Fundação Carlos Chagas e ONU Mulheres, parceiros no Edital Gestão Escolar para Equidade: ELAS nas Exatas, dois eventos para discutir equidade de gênero e raça na educação pública e inserção de meninas nas ciências exatas e tecnologias: o 1º Seminário Elas Nas Exatas e o III Diálogo ELAS nas Exatas, ambos  o Rio de Janeiro.

O 1º Seminário Elas Nas Exatas acontece no dia 19 de março no Museu do Amanhã. O Seminário criará um espaço para que haja diálogos entre especialistas, estudantes e gestores em educação sobre a importância da promoção da equidade e do enfrentamento das desigualdades e das discriminações de gênero como elementos fundamentais a serem considerados nas políticas públicas educacionais.

Já o III Diálogo ELAS nas Exatas acontece nos dias 20 e 21 de março e vai reunir representantes dos 10 grupos apoiados no II Edital ELAS nas Exatas, que são iniciativas de todo o Brasil que visam a inserção das meninas nas áreas de ciências tecnológicas e exatas por meio da promoção da equidade de gênero no ambiente escolar.

“O Seminário e o Diálogo ELAS nas Exatas são uma oportunidade inédita para ampliar o debate nacional sobre a inserção das meninas nas ciências exatas e tecnologias – que serão as futuras cientistas do país”, diz Amalia Fischer, coordenadora geral do Fundo ELAS.

“Esses dois eventos fazem parte de um projeto mais amplo de incidência nas políticas educacionais do país, a partir de experiências concretas sobre a relevância de criar oportunidades para as jovens mulheres serem bem-sucedidas, e em condições reais de igualdade, também no campo das ciências exatas e tecnologias”, comenta Sandra Unbehaum, coordenadora do Departamento de Pesquisa da Fundação Carlos Chagas.

“ELAS nas Exatas nos dá a oportunidade de reafirmar que as escolas públicas são decisivas para articular a igualdade de gênero com conhecimento científico e tecnológico e habilidades digitais. As mudanças em termos de incentivo, investimentos e desenvolvimento técnico precisam acontecer agora. Só assim meninas e adolescentes poderão fazer parte da revolução digital que está acontecendo em todo o mundo”, afirma Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil.

“As meninas apresentam um bom aprendizado em matemática ao longo do Fundamental I e II, mas no Ensino Médio esse rendimento diminui. Esse declínio na aprendizagem ao longo do ciclo de aprendizagem é, em grande parte, resultado do processo de socialização – na família e na escola. Os padrões de discriminação e estigmas da sociedade se refletem no interior da escola. No entanto, a escola precisa acolher as desigualdades e promover a equidade, atuando em favor das jovens e ampliando suas possibilidades de escolhas” explica Ricardo Henriques, superintendente do Instituto Unibanco.

Entre as participantes estão a pesquisadora argentina Gloria Bonder, diretora da Cátedra Regional UNESCO “Mulheres, Ciência e Tecnologia”, a socióloga Suelaine Carneiro, do Geledés – Instituto da Mulher Negra, e a professora Alice de Paiva Abreu, Diretora do GenderInSITE, programa internacional que promove as discussões de gênero em ciência, inovação, tecnologia e engenharia.

Para o Diálogo estão confirmadas presenças como Katemari Rosa, professora-adjunta de Física da UFBA, Joana D’Arc Félix, PhD em Química pela Universidade de Harvard e pesquisadora de ponta de produção a partir de resíduos de curtume, Buh D’Angelo, que criou a Infopreta, primeira e única empresa de tecnologia criada por mulheres negras e LGBT’s, e Evelyn Mendes, mulher trans que está à frente de um projeto que ensina mulheres a construírem sites como forma de entrada na área de informática

Gênero e raça nas escolas, o papel da gestão escolar na promoção da equidade e oportunidades e desafios de mulheres que atuam nas ciências exatas e tecnologias serão alguns dos temas debatidos nos dois eventos, que pretendem incidir no campo da educação pública, em específico no avanço de uma agenda que fortaleça o interesse, a participação e a permanência de jovens mulheres nas ciências.


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