Em janeiro, Brasil registrou aumento de mortes por covid em pacientes com menos de 60 anos

Colapso dos hospitais e surgimento de novas variantes do coronavírus no país podem ser alguns dos fatores que explicam esse crescimento, segundo especialistas

Se engana quem pensa que o aumento das mortes por covid-19 no Brasil está relacionado apenas às pessoas acima de 60 anos, consideradas mais vulneráveis ao coronavírus SARS-CoV-2, causador dessa infecção.

Segundo dados oficiais do Ministério da Saúde, os óbitos por covid-19 nos meses de novembro e dezembro de 2020 ficaram em torno de 23,1%. Porém, em janeiro de 2021 esse percentual deu um salto de quase dois pontos, ficando em 24,9% – aumento supostamente pequeno, mas que pode ser considerado significativo, tendo em conta que se trata da faixa etária que deveria sofrer menos com a doença.

Entre as causas que poderiam explicar este fenômeno estão o colapso registrado em muitos hospitais do país, que, além da falta de leitos, também reclamaram pela falta de oxigênio hospitalar e insumos médicos básicos para o tratamento de pacientes.

Os casos mais dramáticos dessa crise aconteceram na Região Norte do país, em cidades do Amazonas, Roraima, Rondônia e Pará, mas também foram registrados colapsos em cidades do Rio de Janeiro, Santa Catarina, Maranhão e Sergipe.

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o médico Jaques Sztajnbok, do Instituto de Infectologia Emilio Ribas, em São Paulo, afirmou que “existem alguns fatores de risco para a letalidade, a idade é um deles. Quando começa a morrer muito jovem, entendemos que é uma parcela que não precisaria estar morrendo. Isso acontece porque as condições ideais de assistência não estavam disponíveis”.

Além disso, as novas variantes do coronavírus, algumas delas originadas no Brasil, também podem ter contribuído para esse crescimento, já que os especialistas afirmam que se tratam de versões mais infecciosas e perigosas do SARS-CoV-2.

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Victor Farinelli

Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).

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