Seja #sóciofórum. Clique aqui e saiba como
11 de julho de 2018, 21h16

Em Porto Alegre, votação de projeto na Câmara dos Vereadores é marcada por repressão policial

Servidores municipais de Porto Alegre que acompanhavam a votação de projetos que alteram regras do funcionalismo municipal foram violentamente reprimidos pela Tropa de Choque da Brigada Militar

Foto: Guilherme Santos/Sul 21

Por Fernanda Canofre, no Sul 21

Com reforço de viaturas e do Batalhão de Choque da Brigada Militar, portas fechadas e entrada controlada, a Câmara de Vereadores de Porto Alegre viveu um dia de tensão nesta quarta-feira (11), enquanto o Plenário discutia a votação de três projetos de lei apresentados pelo prefeito Nelson Marchezan Jr. (PSDB), que alteram questões relacionadas ao funcionalismo municipal. No início da tarde, os municipários começaram a ingressar na galeria do plenário para acompanhar a sessão. Por volta das 15h, a porta de acesso ao plenário foi fechada e iniciou o confronto entre servidores e integrantes da Guarda Municipal que chegaram a usar spray de gengibre contra os municipários. Um segundo foco de conflito abriu-se na porta de entrada da rampa, por onde os servidores tentaram entrar. Um pouco antes das 17 horas, os municipários conseguiram entrar e foram recebidos por um pelotão do choque da Brigada Militar que já estava dentro do prédio, postado perto da sala de acesso ao plenário. O choque investiu contra os manifestantes, com sprays de pimenta e bombas de gás, empurrando-os para fora do prédio. Enquanto isso, a porta de acesso ao plenário seguia fechada e os vereadores de oposição pressionaram a segurança para abri-la e protestaram contra a presença da Brigada dentro do prédio. A sessão acabou sendo interrompida.

O presidente da Câmara de Vereadores, Valter Nagelstein, justificou a presença da Brigada Militar dentro do prédio. “Eu pedi a ação policial para garantir que o parlamento pudesse se manifestar dentro daquilo que se chama estado democrático de direito. É muito triste ter que ter havido intervenção policial e é mais triste ainda pra mim que eu tenha que chamar uma reunião extraordinária a portas fechadas”.

Diretor do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), Alberto Terres, classificou como “lamentável” a decisão de Nagelstein de chamar a Brigada Militar para dentro da Câmara. “O governo tentou dar um golpe nos servidores municipais, colocando o projeto da Previdência e o que ataca o regime dos servidores. Decidiram isso às 12h. Nós chamamos a categoria pra vir pra cá para defender nossos direitos. O presidente da Casa, Valter Nagelstein, com a anuência de Marchezan, chamou a Brigada Militar e a ROMU pra vir pra cá bater nos trabalhadores. Teve trabalhador machucado, trabalhadora presa. É desta forma que o prefeito Marchezan trata os servidores municipais. Nós vamos aceitar esse tipo de ataque”.

A vereadora Fernanda Melchionna (PSOL) definiu o que aconteceu como um “escândalo completo”. “O governo colocou em votação dois projetos, um que pode reduzir em até 40% o salário dos servidores e desmontar os serviços públicos. Fizeram uma manobra para tentar votar isso, restringindo a entrada dos servidores. Virou uma panela de pressão, sem canal de diálogo. É óbvio que haveria um tensionamento por conta da irresponsabilidade do governo”.

Continue lendo no Sul 21


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum