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24 de agosto de 2019, 07h58

Em texto ultradidático, pesquisadora que trabalha há 10 anos com fogo na Amazônia explica o atual incêndio na floresta

Segundo a pesquisadora, é possível, sim, frear o desmatamento na Amazônia. "Depende do governo assumir a responsabilidade pelas atuais taxas de desmatamento e parar com discursos que promovam a impunidade no campo. É preciso entender que sem a Amazônia não há chuva no resto do país, seriamente comprometendo nossa produção agrícola e nossa geração de energia"

A presquisadora Erika Berenguer na Amazônia (Reprodução/Facebook)

Pesquisadora sênior do do Instituto de Mudanças Ambientais, da Universidade de Oxford, que estuda há 10 anos o impacto do fogo e da extração de madeira nos estoques de carbono e na biodiversidade da Amazônia brasileira, Erika Berenguer publicou em sua página no Facebook um texto ultradidático sobre o que está acontecendo atualmente com a Amazônia.

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Segundo ela, os incêndios na floresta amazônica são causados “necessariamente pelo homem” e, diferentemente da vegetação do cerrado – que é resistente ao fogo -, ao serem queimadas as árvores da região morrem.

“Ao morrerem, essas árvores então se decompõem liberando para a atmosfera todo o carbono que elas armazenavam, contribuindo assim pras mudanças climáticas. O problema nisso é que a Amazônia armazena carbono pra caramba nas suas árvores, a floresta inteira estoca o equivalente a 100 anos de emissões de CO2 dos EUA, então queimar a floresta significa colocar muito CO2 de volta na atmosfera”, explica.

Erika ainda explica a técnica chamada pelos ruralistas de “correntão”, que é proibida por lei, muito usada para desmatar grandes áreas da região amazônica.

“Para desmatar a floresta, primeiro corta-se ela, normalmente com o que é chamado de correntão – dois tratores interligados por uma imensa corrente, assim com os tratores andando, a corrente entre eles vai levando a floresta ao chão. A floresta derrubada fica um tempo no chão secando, geralmente meses a dentro da estação seca, pois só assim a vegetação perde umidade suficiente pra ser possível colocar fogo nela, fazendo toda aquela vegetação desaparecer, e sendo então possível de plantar capim. Os grandes incêndios que estamos vendo agora e que fizeram o céu de São Paulo escurecer representam então esse último passo na dinâmica do desmatamento – transformar em cinzas a floresta tombada.”

Segundo a pesquisadora, é possível, sim, frear o desmatamento na Amazônia. “Depende do governo assumir a responsabilidade pelas atuais taxas de desmatamento e parar com discursos que promovam a impunidade no campo. É preciso entender que sem a Amazônia não há chuva no resto do país, seriamente comprometendo nossa produção agrícola e nossa geração de energia. É preciso entender que a Amazônia não é um bando de árvore juntas, mas sim nosso maior bem”, relata.

Leia o texto de Erika Berenguer na íntegra:


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