O que o brasileiro pensa?
13 de julho de 2020, 08h57

Empregadas domésticas relatam aumento de abusos e ameaças durante pandemia

Trabalhadoras são coagidas a fazer horas extras ou até mesmo a morar com os patrões para não perderem o emprego

Foto: Agência Brasil

Denúncias de abuso no trabalho doméstico cresceram durante a pandemia do coronavírus. Segundo Luiza Batista, presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad), muitas trabalhadoras são coagidas a fazer trabalho extra, ou até mesmo a morar com os patrões, para não perderem o emprego.

“Junto aos contratos encerrados, denúncias sobre abusos também cresceram. Mas poucas são formalizadas. Muitas mulheres são coagidas a aceitar ficar ou perdem o emprego. A trabalhadora fica por necessidade, às vezes por afeição. É um limite tênue entre o abuso e o trabalho análogo à escravidão”, diz Luiza.

Em entrevista ao jornal O Globo, uma trabalhadora doméstica de Recife conta que ficou 93 dias morando no trabalho a pedido da patroa. “Ela disse assim: ‘Olha, você não vai poder voltar para casa, vai ter que ficar. Vai todo mundo entrar em quarentena’”, afirma.

“Aceitei porque achei que seria um mês. Mas a coisa foi piorando, e fui ficando. Tinha dia em que eu chorava. Uma vez por mês, deixava para meu genro na portaria um dinheiro para a despesa dos meus netos”, continuou.

Em caso recente, uma trabalhadora doméstica de 61 anos foi resgatada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) de uma casa em Alto do Pinheiros, bairro nobre de São Paulo. Ela não recebia salários desde 2011.


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