O que o brasileiro pensa?
05 de junho de 2020, 19h00

Enquanto o mundo se levanta em atos antirracistas, Mourão diz que não há racismo no Brasil

"Aqui não existe ódio racial", disse o vice-presidente em entrevista ao Headline em que ainda classificou as manifestações contra o racismo como uma questão de "opinião"; assista

Reprodução/Headline

O vice-presidente Hamilton Mourão, em entrevista ao site independente Headline nesta sexta-feira (5), negou que exista racismo no Brasil. A declaração se deu justamente no momento em que o mundo inteiro se levanta contra o racismo em protestos motivados pelo assassinato do cidadão estadunidense George Floyd, e enquanto o Brasil reascende o debate sobre racismo após as recorrentes mortes de pessoas negras pela polícia.

“Reafirmo que não há racismo no Brasil. Aqui não existe ódio racial. Morei nos Estados Unidos na minha adolescência, vi coisas que nunca tinha visto no Brasil. No colégio que eu eu estudava havia um número reduzidos de alunos negros. Aquele grupo andava sem se misturar com os demais alunos, coisas que eu jamais tinha visto aqui no país”, declarou.

Na mesma entrevista, o vice-presidente ainda tentou justificar o motivo pelo qual os jovens negros são os principais alvos da polícia no Rio de Janeiro. “Temos desigualdade. Você mencionou os confrontos da polícia e as quadrilhas de criminosos no Rio de Janeiro. Vale lembrar: o maior percentual de população negra são em cidades como Rio de Janeiro e Salvador. Se você ver os confrontos da polícia no Sul do país, os que vão tombar são brancos”, disparou.

“Não considero que tenha uma guerra da polícia com os negros. Até porque a maior parte da polícia é negra ou parda”, completou o vice-presidente.

Para Mourão, a desigualdade observada no país “é uma herança da nossa própria formação”. “Vivemos uma abolição da escravatura sem um planejamento posterior para inserção. Isso se arrasta até hoje e não é culpa do presidente Bolsonaro. Temos anos e anos de historia e nenhum dos antecessores resolveu esse problema”, afirmou.

O general também classificou as manifestações contra o racismo como uma questão de “opinião”.

Assista.


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