Entenda o caso Henry Borel e saiba quem é vereador Jairinho, acusado do assassinato junto com a mãe

Vereador, filho de coronel investigado por ligação com milícias, foi preso nesta manhã após polícia concluir que ele agredia o enteado com chutes e golpes na cabeça

O menino Henry Borel, de 4 anos, foi encontrado morto na madrugada do dia 8 de março no apartamento em que morava com a mãe, a professora Monique Medeiros, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Ela e o namorado, o vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (Solidariedade), levaram a criança ao hospital alegando que ele teria sofrido um acidente e que estava “desacordado e com os olhos revirados e sem respirar”.

Os laudos da necropsia de Henry apontaram que a causa da morte foi hemorragia interna e laceração hepática (no fígado) causada por uma ação contundente (violenta). O documento cita ainda a presença de edemas, equimoses, contusões e hematomas no corpo de Henry. Foram identificadas lesões no crânio, no fígado, nos pulmões e nos rins, além de uma série de ferimentos externos.

O 2º Tribunal do Júri da Capital decidiu expedir mandados de prisão temporária, de 30 dias, contra Jairinho e a namorada, que foram cumpridos pela Polícia Civil do Rio na manhã desta quinta-feira (8). Investigadores apontarem que a criança sofreu um assassinato, e não um acidente.

As investigações também concluíram que Dr. Jairinho agredia o enteado com chutes e golpes na cabeça e que Monique sabia disso pelo menos desde fevereiro. O casal também é suspeito de atrapalhar as investigações e de ameaçar testemunhas para combinar versões.

Filho de uma dona de casa e do coronel da Polícia Militar e deputado estadual – Coronel Jairo (PSC) – Dr. Jairinho concorreu pela primeira vez em eleições em 2004, aos 27 anos, tornando-se o vereador mais votado do Partido Social Cristão (PSC). Ele continuou na Câmara por outros três mandados, até se tornar líder do governo na gestão de Marcelo Crivella (Republicanos).

De acordo com o Ministério Público Federal, o pai do vereador, Coronel Jairo, era suspeito de participação no chamado “mensalinho” da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O esquema movimentou R$ 54 milhões em pagamentos para que deputados votassem com o governo, na época de Sérgio Cabral (MDB).

O parlamentar foi alvo da operação Furna da Onça, da Lava Jato, voltada para os casos de corrupção da Alerj. Desdobramentos desta operação também miraram o ex-assessor de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Fabrício Queiroz.

Relação com milícias

A Polícia Civil do Rio de Janeiro também chegou a investigar o deputado por envolvimento com milícias do Rio. O inquérito policial, contudo, não foi o suficiente para indiciá-lo.

Em 2008, uma equipe de reportagem do jornal O Dia foi torturada por milicianos na Favela do Batan, na Zona Oeste carioca. Naquela época, o pai de Jairinho foi acusado de ser um dos políticos envolvido com os criminosos.

No texto “Minha Dor Não Sai no Jornal”, escrito para a revista piauí em 2011, o fotógrafo Nilton Claudino — um dos dois jornalistas agredidos por sete horas — também relata a presença de Jairinho na sessão de tortura.

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Luisa Fragão

Jornalista.

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