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12 de julho de 2019, 12h17

Entregador do aplicativo Rappi, que morreu sem receber socorro, trabalhava mais de 12 horas por dia, diz irmão

Thiago de Jesus esperou por socorro por cerca de duas horas, mas não foi atendido pelo Samu. Um motorista de Uber recusou a viagem por estar "sujo e molhado". Ele só conseguiu ser levado para o Hospital das Clínicas com a ajuda de amigos

Divulgação

O entregador Thiago de Jesus Dias, de 33 anos, entrou para a triste lista de mais um caso de motoboys de aplicativos que foram abandonados pela empresa após morrer de AVC durante entrega, no sábado (6). O rapaz trabalhava para a Rappi cerca de 12 hora diárias e foi completamente ignorado depois que uma cliente pediu ajuda.

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“Eram jornadas de mais de 12 horas de trabalho, uma rotina muito cansativa. E era de segunda a segunda, porque era difícil ele tirar uma folga”, afirmou Isaque de Jesus Dias, irmão caçula de Thiago, ao G1. Familiares contaram também que o rapaz trabalhava para a empresa há 2 anos.

Segundo o irmão do entregador, a Rappi só entrou em contato após o caso tomar grandes proporções na internet. “A Rappi só nos procurou ontem por volta das 20h30, depois que o caso já tinha uma proporção muito grande por conta das redes sociais. Eles falaram que orientaram a Ana Luisa para levar o Thiago para o hospital, mas isso nunca aconteceu. Outros motoboys que estavam passando na região naquela hora também ligaram para a Rappi e nenhum deles recebeu orientação do que fazer”, contou.

Demais entregas
Ao fazer uma entrega na noite de sábado em Perdizes, na Zona Oeste de São Paulo, Thiago passou mal e foi socorrido pela cliente que fez o pedido. Ana Luísa Pinto, advogada, entrou em contato com a Rappi pedindo ajuda, mas a empresa apenas se preocupou com as demais entregas do funcionário.

“Entramos em contato com a Rappi que, sem qualquer sensibilidade, nos pediu para que déssemos baixa no pedido para que eles conseguissem avisar os próximos clientes que não receberiam seus produtos no horário previsto”, disse a advogada.

Thiago de Jesus esperou por socorro por cerca de duas horas, mas não foi atendido pelo Samu. Um motorista de Uber que recusou a viagem por ele estar “sujo e molhado”. Ele só conseguiu ser levado para o Hospital das Clínicas com a ajuda de amigos. Ele teve a morte encefálica confirmada na manhã de segunda-feira.


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