Funcionária orienta em áudio para que não contratem pessoas “feias” e “gordas”; ouça aqui

"Vocês sabem que feio e bonito é o mesmo preço", afirma a mulher; rede de farmácias diz que informações são falsas e "publicadas com o objetivo de prejudicar a imagem da empresa"

Em áudio que circula nas redes sociais, uma funcionária usa critérios homofóbicos, gordofóbicos e preconceituosos ao falar sobre a contratação de funcionários. Na gravação, atribuída a uma funcionária da Rede de Farmácias São João, do Rio Grande do Sul, a mulher diz que as pessoas precisam estar “alinhadas”, então não podem, por exemplo, “desmunhecar” – termo ofensivo para se referir a homossexuais.

“Vocês sabem que feio e bonito é o mesmo preço. Então vamos cuidar muito nas nossas contratações. Pessoas muito tatuadas vocês sabem que a empresa não gosta, piercing na língua, no nariz, na testa, não pode, a gente lida com saúde. Pessoas muito gordas vocês sabem que…”, começa a mulher.

“Então, assim, cuidem as aparências. Se pegar alguém, com todo o respeito, tem que ser uma pessoa alinhada, que não vire a mão e ‘desmunheque’, fale, né… Vamos cuidar as equipes que a gente vai pegar, vamos pegar gente com aparência boa, com disposição, com vontade”, continua. “Então não esqueçam, feio e bonito a gente vai pagar o mesmo preço. Então vamos pegar os bonitos né, não somos bobos nem nada”, finaliza a funcionária.

Compartilhado pela jornalista Manuela D’Ávila (PCdoB-RS), o áudio causou revolta nas redes sociais. “Mentira que estou ouvindo isso, que absurdo”, escreveu uma seguidora. “Que coisa triste! Escolhas feitas pela estética e que desconsideram, muitas vezes, as habilidades e o potencial…”, escreveu outra.

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Farmácias São João diz que informações são falsas

Em comunicado, a rede de Farmácias São João disse que as informações são falsas e publicadas “por pessoas externas e desconhecidas, com o objetivo único de prejudicar a imagem da empresa”. Além disso, afirmou que já está “tomando todas as medidas cabíveis para averiguar e responsabilizar terceiros contra os conteúdos gerados”.

“As Farmácias São João reafirmam seu compromisso com a diversidade. A empresa repudia toda e qualquer manifestação que possa contrariar ao ideal e valores de respeito aos direitos humanos. Temos consciência de que a pluralidade é democrática, faz parte do desenvolvimento sustentável e à preservação das liberdades individuais”, continua a nota.

Confira a íntegra:

A Rede de Farmácias São João informa que estão circulando mídias com informações falsas publicadas por pessoas externas e desconhecidas, com o objetivo único de prejudicar a imagem da empresa. Informa também, que já está tomando todas as medidas cabíveis para averiguar e responsabilizar terceiros contra os conteúdos gerados.

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Alertamos que a publicação de notícia falsas e inverídicas (fake news) no intuito de ofender a honra e a imagem de alguém, pode caracterizar tipos penais descritos nos arts. 138, 139 e 140, todos do Código Penal, cumulados com a majorante do art. 141, III, do Código Penal e com penas de multa e prisão.

As Farmácias São João reafirmam seu compromisso com a diversidade. A empresa repudia toda e qualquer manifestação que possa contrariar ao ideal e valores de respeito aos direitos humanos. Temos consciência de que a pluralidade é democrática, faz parte do desenvolvimento sustentável e à preservação das liberdades individuais.

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A empresa informa que segue firme no seu plano de expansão, em seus princípios e valores. Ainda, este ano, contratará mais de 500 novos colaboradores nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, buscando verdadeiramente um ambiente salutar, onde as pessoas se sintam felizes e acolhidas, independente da sua ideologia, porque são elas que movimentam toda a organização. São aproximadamente 15 mil colaboradores que fazem parte da grande família São João.

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Carolina Fortes

Repórter colaborativa no site Emerge Mag e antiga editora-assistente no site da Jovem Pan. Ex-repórter no site Elástica. Formada em jornalismo e faz a segunda graduação em Letras na Universidade de São Paulo (USP). Acredita no jornalismo como forma de impacto social e defende maior inclusão e representatividade.

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