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05 de dezembro de 2019, 20h22

Gabriel Monteiro, PM do MBL e funcionário da Alerj, invade sede do PSOL em horário de expediente, diz deputada

Seguidor de Arthur Mamãefalei, o policial é assessor de um deputado do DEM e foi "esculachar trabalhador e trabalhadora" no horário do expediente, segundo a deputada Dani Monteiro

O PM Gabriel Monteiro (Foto: Reprodução/ YouTube)

A deputada estadual Dani Monteiro (PSOL-RJ) denunciou, no plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que o policial militar e youtuber do MBL Gabriel Monteiro invadiu a sede do PSOL na última terça-feira (5) para intimidar funcionários e filmar o interior do espaço durante o horário que deveria cumprir expediente como segurança do deputado estadual Filippe Poubel (DEM-RJ).

“A sede do Partido Socialismo e Liberdade, localizada na Lapa, recebeu uma visita inusitada, de um servidor público das forças de segurança hoje cedido à Alerj, lotado no gabinete do Deputado Filippe Poubel. O assessor parlamentar Gabriel Monteiro chegou à sede do Partido Socialismo e Liberdade com uma câmera na mão, disposto a gravar a sede e os funcionários em trabalho”, relatou a parlamentar.

Em resposta à Fórum, Gabriel Monteiro publicou um vídeo em seu Twitter dizendo que não invadiu a sede do PSOL.

A deputada contou ainda que o PM não foi “como cidadão”, mas como “uma pessoa que é hoje, cedida para trabalhar” na Alerj. “Ele não pode fazer isso, duplamente. Como agente da força de segurança só poderia ir lá mediante uma ordem de algo a ser investigado ou, então, ir como cidadão. Não foi o caso”, disse.

“É uma situação muito desagradável, em que momentos de ameaça à nossa democracia, possam ser facilmente confundidos com um ato para coibir o nosso partido”, afirmou, dirigindo-se a Poubel. “Chamo a atenção da Presidência para que tome ciência desse acontecimento e tome as devidas medidas a respeito”, completou.

Monteiro condenou ainda o fato do assessor parlamentar ter ido à sede do PSOL com o objetivo de “esculachar trabalhador e trabalhadora”. “Porque esculachar trabalhador de uma sede que faz um serviço puramente técnico, ir lá e zombar do seu trabalho, tratar com tom jocoso, isso não pode ser permitido”, disse.

Poubel respondeu a deputada dizendo que não responde pelos atos de seu assessor, apesar de Monteiro ressaltar que o caso ocorreu no horário de trabalho da Alerj. “Não sou babá do Gabriel Monteiro, que é adulto e responde pelos seus atos”, disse.

O caso foi exposto pelo jornalista Ruben Berta em suas redes sociais e o registro pode ser encontrado no site da ALERJ. O gabinete da deputada Dani Monteiro disse à Fórum que “a bancada do PSOL aguarda um posicionamento da direção da Alerj pra que isso não siga ocorrendo”.

Outro lado

Em resposta à Fórum via Twitter, o deputado Filippe Poubel afirmou que Gabriel Monteiro “estava de folga, aliás, sua carga horária está acima do que gostaria, mas hoje estamos com uma alta demanda. Ainda está com duas férias vencidas. Em momento algum invadiu a sede do PSOL”.

Gabriel Monteiro também usou o Twitter para responder à Fórum. “1º Não sou do MBL; 2° SOU MILITAR, não trabalho em expediente, e sim ESCALA. ESTAVA DE FOLGA;  3° TENHO TUDO GRAVADO, FUI CONVIDADO A ENTRAR QUANDO PEDI NA SEDE DO PSOL, FUI 100% CORDIAL E AMIGÁVEL; 4 MAIS UMA FAKE NEWS DE VOCÊS, IGUAL TENTARAM FALAR QUE FUI NO ENTERRO DA ÁGATHA”.

Após a resposta, Gabriel ainda postou um vídeo do momento em que chegou à sede do PSOL sem se identificar como assessor parlamentar para embasar seu argumento de que não invadiu o local, dizendo também que estava de folga.

A deputada Dani Monteiro, então, enviou à reportagem uma nova nota: “A deputada Dani Monteiro fez uma queixa formal no plenário. O assessor, como falamos, retirou-se da sede do PSOL quando foi interpelado e convidado a se retirar. A deputada considerou inconveniente o fato de ele ter ido em horário de trabalho, sendo assessor parlamentar, à sede de um partido adversário. A deputada também reitera que aguarda um posicionamento da Casa sobre o ocorrido, por discordar veementemente desse tipo de abordagem intimidadora”.

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