No rastro do óleo do Nordeste
06 de novembro de 2019, 11h34

Golpe aprofunda crise neoliberal e leva 1 milhão de brasileiros à pobreza extrema por ano desde 2015

Os dados são da Síntese de Indicadores Sociais (SIS), divulgada nesta quarta-feira (6) pelo IBGE, que aponta que, em média, 1 milhão de pessoas por ano desceu abaixo da linha da pobreza entre 2015 e 2018, quando foi registrado recorde de 13,5 milhões de brasileiros vivendo com R$ 89 mensais

Foto: Arquivo/EBC

O golpe que destituiu Dilma Rousseff (PT) da Presidência em 2016, que foi construído em um processo desde sua reeleição em 2014, aprofundou a crise neoliberal no país, que em 2018 registrou ao número de recorde de 13,5 milhões de brasileiros vivendo com renda mensal de R$ 89 – inferior a R$ 145, ou U$S 1,9 por dia, critério adotado pelo Banco Mundial para identificar a condição de extrema pobreza.

O número é equivalente à população de Bolívia, Bélgica, Cuba, Grécia e Portugal. Os dados são da Síntese de Indicadores Sociais (SIS) divulgada nesta quarta-feira (6) pelo IBGE, que aponta que, em média, 1 milhão de brasileiros por ano desceu abaixo da linha da pobreza entre 2015 e 2018 —quando 6,5% da população estava classificada como pobre, o maior índice da série, iniciada em 2012.

“Esse grupo necessita de cuidados maiores que seriam, por exemplo, políticas públicas de transferência de renda e de dinamização do mercado de trabalho. É fundamental que as pessoas tenham acesso aos programas sociais e que tenham condições de se inserir no mercado de trabalho para terem acesso a uma renda que as tirem da situação de extrema pobreza”, afirma o gerente do estudo, André Simões.

Negros e pardos
A pobreza atinge sobretudo a população preta ou parda, que representa 72,7% dos pobres, em números absolutos 38,1 milhões de pessoas. E as mulheres pretas ou pardas compõem o maior contingente, 27,2 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza.

Quase metade (47%) dos brasileiros abaixo da linha de pobreza em 2018 estava na região Nordeste.

Desigualdade crescente
Entre 2012 e 2014, o grupo dos 40% com menores rendimentos apresentou aumento mais expressivo do rendimento médio domiciliar per capita, passando de R$ 329 para R$ 370. A partir de 2015, o rendimento médio deste grupo caiu para R$ 339. Já o grupo dos 10% com maiores rendimentos sofreu uma modesta redução do rendimento médio entre 2012 e 2015 (de R$ 5.408 para R$ 5.373), mas passou a subir nos anos seguintes, resultando, ao final de 2018, em um rendimento médio de R$ 5.764, o maior valor da série.

“Em 2018, houve uma melhora nos indicadores do trabalho, embora tenha sido mais relevante no trabalho informal. O valor dos rendimentos cresceu para toda a população, só que foi maior para os 10% com maiores rendimentos que se apropriaram de uma parcela maior do que os 40% com menores rendimentos, ampliando a desigualdade”, diz Moraes.

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