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22 de setembro de 2019, 14h33

Governo Witzel solta nota protocolar sobre morte de Agatha e diz que policiais “revidaram”

"Não tinha ninguém. Ele atirou por atirar na kombi. Atirou na kombi e matou minha neta. Isso é confronto?", questionou o avô de Agatha

O governador do RJ, Wilson Witzel (Foto: Reprodução)

Depois de mais de 24h do assassinato da menina Agatha Félix, de 8 anos, o governo do Rio de Janeiro, comandado por Wilson Witzel (PSC), finalmente se pronunciou neste domingo (22), em nota. A postagem diz lamentar a morte, que aconteceu após a menina ser atingida por tiro de fuzil da Polícia Militar (PMERJ) enquanto voltava para casa com sua família, e afirmou que os PMs revidaram a uma agressão que sofreram em confronto, reafirmando a versão da PMERJ. Moradores e familiares de Agatha afirmam que não houve troca de tiros.

O Governo do Estado lamenta profundamente a morte da menina Agatha, assim como a de todas as vítimas inocentes, durante ações policiais. A PMERJ abriu um procedimento para apurar a ação dos policiais no Complexo do Alemão. Na noite de sexta, criminosos realizaram ataques simultâneos em diversas localidades do Complexo do Alemão. Policiais da UPP Fazendinha revidaram à agressão e, após confronto, foram informados por moradores que a menina tinha sido atingida e levada para o Hospital Getúlio Vargas”, diz nota publicada no Twitter.

A versão reforça a posição oficial da Polícia Militar, que afirmou que os oficiais atuaram “em confronto”. Essa declaração já foi contestada por familiares da vítima. No sábado, o avô de Agatha já se antecipou, imaginando qual seria a “versão oficial”. “Vai chegar amanhã e dizer que morreu uma criança no confronto. Que confronto? Confronto com quem? Porque não tinha ninguém, não tinha ninguém. Ele atirou por atirar na kombi. Atirou na kombi e matou minha neta. Isso é confronto? A minha neta estava armada por acaso para poder levar um tiro?”, disse ele.

O governo Witzel ainda afirmou que atua com “inteligência, investigação e reaparelhamento das polícias”, seguindo “protocolos rígidos com a preocupação de preservar vidas”. No entanto, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) não vê dessa forma e considera que a política de segurança de Witzel “afronta os parâmetros básicos de civilidade”. “A morte de Ágatha evidencia mais uma vez que as principais vítimas dessa política de segurança pública, sem inteligência e baseada no confronto, são pessoas negras, pobres e mais desassistidas pelo Poder Público”, disse a entidade.

A morte de Agatha se soma às inúmeras outras, principalmente de negros e pobres moradores de comunidades, que vêm aumentando desde que Wilson Witzel assumiu como governador do Rio de Janeiro. Witzel é entusiasta de uma política de segurança agressiva, e causou polêmica ainda no ano passado, quando disse que a polícia sob seu comando vai “mirar na cabecinha e fogo”. Ele já chegou, inclusive, a lamentar por não poder disparar mísseis em comunidades do Rio.

No sábado, diversas foram as manifestações contrárias ao episódio. Um ato foi realizado no Complexo do Alemão, onde Agatha foi morta, a hashtag #ACulpaEDoWitzel ganhou destaque nas redes sociais e uma manifestação em frente à ALERJ foi convocada para a próxima segunda-feira. Além disso, o candidato à presidência pelo PT em 2018, Fernando Haddad, chegou a pedir o impeachment do governador, que ele chamou de assassino.


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