Grupo com suposto apoio de Damares Alves pressionou família de menina de dez anos estuprada a não abortar

Entre as pessoas gravadas em vídeo, foi possível identificar um pré-candidato a vereador pelo PSL que é líder de um projeto cristão no município

Um grupo de pessoas que teria suposto apoio da ministra de Direitos Humanos, Damares Alves, é acusado de ter pressionado a família da menina de 10 anos, que engravidou após sofrer abuso sexual, a manter a gravidez.

Um dos interlocutores, que insistia para que o aborto não fosse praticado, disse à avó da menina ter acesso à ministra de Direitos Humanos. “Inclusive eu conversei ontem com a assessora da ministra Damares, só para você saber o nível de informação que eu tenho. Olha onde chegou, à ministra Damares! Então a gente quer que a senhora use a voz que a senhora tem para defender esse bisneto da senhora”, insistiu.

Em um dos vídeos que a coluna do jornal Tribuna Online teve acesso, a avó da criança chega a desmaiar e familiares mandam o grupo embora. Entre as pessoas, é possível identificar um pré-candidato a vereador que é líder de um projeto cristão no município. Nas redes sociais ele aparece como filiado ao PSL.

A Promotoria da Infância e Juventude de São Mateus (ES), que investiga o caso, diz que o grupo teria ido ao menos duas vezes à residência dos familiares e parte das visitas foram gravadas em áudio e vídeo por alguém que estava na casa.

De acordo com relatos, o grupo mantinha argumentos religiosos e ofereceu à família “juízes do bem” e médicos em troca da menina manter a gestação, fruto de estupro.

O grupo ainda teria pedido que a avó se manifeste contrária à interrupção da gravidez quando for questionada.

A Promotoria já está de posse dos áudios e dos vídeos. O promotor responsável pelo caso, Fagner Rodrigues, disse que será investigado quem repassou o contato e o endereço dos familiares para o grupo religioso e possíveis políticos que estariam por trás da pressão aos familiares. Eles podem responder por constrangimento ilegal além de outros crimes, como ameaça. “Trata-se de uma violação de alguém que já está sendo violado, que ofende os direitos humanos”. O procedimento será instaurado nos próximos dias.

A menina viajou na manhã deste domingo (16), com um familiar e uma assistente social, para fora do Estado, para fazer a interrupção da gestação determinada pela Justiça estadual.

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Com informações da Tribuna Online

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Direto da Redação da Revista Fórum.

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