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10 de setembro de 2019, 10h19

Homem negro é preso por “cuspir em estátua” no Rio, denuncia advogado

O advogado Eduardo Goldenberg estava no local e filmou os oficiais no momento da prisão. "Tá com pena? Direitos humanos, né?", debochou um dos policiais

Foto: Reprodução

Na tarde desta segunda-feira (9), por volta das 17h, quatro policiais militares prenderam um morador de rua por ter cuspido em uma estátua na Praça XV, a poucos metros da Assembleia Legislativa, no centro do Rio de Janeiro. De acordo com os PMs, o homem estaria “depredando o patrimônio público”. O advogado Eduardo Goldenberg estava no local e questionou os oficiais sobre a conduta. Como resposta, os homens debocharam de sua atitude e ainda o intimidaram. “Tá com pena? Direitos humanos, né?”, ironizou um dos PMs. O homem foi levado algemado à 4ª DP, no centro do Rio.

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“Eu passei por lá e fiquei muito indignado de ver aquilo. Eram quatro PMs, usando o colete ‘Centro Presente’, em volta do sujeito se debatendo no chão algemado. Já me irritou demais ver as pessoas passando e olhando com nojo, sem fazer nada”, contou o advogado. Em seguida, ele se aproximou dos policiais e questionou o que estava acontecendo, tendo como resposta a informação de que o homem estava cuspindo na estátua. “Vocês não podem algemar o cara por causa disso”, disse Eduardo.

Na sequência, um dos policiais sacou a arma, sem apontar, e o intimidou. “Qual é o problema? Ele tá indo pra 4ª DP, pode ir atrás”, disse. Antes da viatura deixar o local, um dos policiais chegou a ameçar Eduardo caso sua imagem “fosse parar em algum lugar”. Indignado, o advogado se voltou contra um dos policiais e disse: “Você é empregado de um genocida, não tenho medo de você”.

Então, Eduardo entregou ao homem algemado seu telefone de contato, dizendo que ele poderia ligar, se precisasse. “Os caras riram muito. Meteram ele no carro e foram embora”, completou o advogado. “Os passantes me olhavam com olhar de reprovação. A que horas passamos a naturalizar a barbárie?”, questionou.

Em entrevista à Fórum, Eduardo também relembrou outros casos em que a polícia do Rio de Janeiro agiu de forma truculenta e pautada pela mesma política higienista. “A mesma coisa que aconteceu no Massacre da Candelária se repete. O Estado e a prefeitura legitimam essas ações. É eco dos discursos dos governantes. Clara violência institucionalizada”, finalizou.


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