Humilhação na ONU não bastou: Bolsonaro afirma que não vai mais tomar vacina

Criticado publicamente por líderes mundiais por não estar imunizado, presidente insiste na conduta: "Pra quê?"

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O vexame que passou em Nova York (EUA) durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro, por não ter se vacinado contra a Covid, não foi suficiente para Jair Bolsonaro arrefecer seu negacionismo.

Em entrevista à Jovem Pan na noite deste domingo (12), ao criticar o “passaporte da vacinação”, o presidente afirmou que não vai se vacinar, contrariando suas próprias declarações de que se imunizaria após toda a população brasileira.

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“No tocante à vacina, eu decidi não tomar mais. Estou vendo novos estudos. A minha imunização está lá em cima. Para quê vou tomar a vacina? Seria a mesma coisa jogar na loteria R$ 10 para ganhar R$ 2. Não tem cabimento isso daí”, disparou.

A fala de Bolsonaro, no entanto, não tem lastro com a verdade. Os principais estudos da comunidade científica global apontam que quem tomou vacina contra a Covid tem muito mais proteção do que aqueles que contraíram a doença, como é o caso do presidente brasileiro.

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Humilhação em Nova York

Jair Bolsonaro, durante sua estadia em Nova York, em setembro, no âmbito da Assembleia Geral da ONU, passou vexame e foi submetido a uma série de humilhações por não ter se vacinado contra a Covid-19.

O prefeito da cidade, Bill De Blasio, por exemplo, chegou a pedir para que Bolsonaro não fosse ao evento por não estar vacinado imunizado e fez inúmeras críticas ao presidente.

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Através de sua conta oficial do Twitter, o democrata ironizou o chefe do Executivo brasileiro ao compartilhar a notícia sobre o fato de Bolsonaro ter sido obrigado a comer pizza na rua por não poder entrar em restaurante sem estar imunizado. Junto à matéria, De Blasio disponibilizou ao presidente brasileiro, marcando seu perfil, um link que mostra os locais de vacinação em Nova York.

Mais cedo no mesmo dia, o democrata tinha sido ainda mais incisivo.

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“Precisamos mandar uma mensagem a todos os líderes mundiais, especialmente Bolsonaro, do Brasil, de que se você pretende vir aqui, você precisa ser vacinado. E se você não quer se vacinado, nem venha, porque todos devem estar seguros juntos. Isso significa que todo mundo deve estar vacinado”, declarou o prefeito em pronunciamento.

Veículos de imprensa internacionais, ao longo da Assembleia da ONU, se referiam a Bolsonaro como “presidente não vacinado” e negacionista. O brasileiro também foi motivo de chacota em programas de humor.

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A cidade de Nova York tem regras que exigem comprovante de vacinação contra a Covid para acessar locais fechados, como restaurantes, cinemas, museus e como a própria sede da ONU.

A organização da Assembleia Geral, diferentemente do prefeito Bill De Blasio, no entanto, não cobrou vacinação dos chefes de Estado.

No dia 19 de setembro, Bolsonaro chegou a Nova York e, após entrar pelos fundos do hotel Intercontinental para evitar se deparar com protestos, o presidente foi fotografado comendo pizza na rua, já que, como uma pessoa que não se imunizou, não pode entrar em restaurantes.

Em outro momento da viagem, o dono de uma unidade da churrascaria Fogo de Chão na cidade estadunidense teve que improvisar um “puxadinho” na parte de fora do estabelecimento, coberto com panos pretos, para que Bolsonaro pudesse almoçar.

Já ao final da viagem, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, além de dois outros integrantes da comitiva brasileira, testaram positivo para Covid-19.

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Ivan Longo

Jornalista, editor de Política, desde 2014 na revista Fórum. Formado pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Twitter @ivanlongo_

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