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23 de dezembro de 2017, 13h16

Ilegítimo: Nem Umbanda e nem Candomblé reconhecem “pai de santo” que deu passe em Temer

Religiosos das duas crenças de matriz africana classificaram o Pai Uzêda como uma “figura folclórica”. Após aparecer “de surpresa” na convenção do PMDB e dar um passe em Temer, suposto pai de santo afirmou que teve hospedagem em Brasília custeada pelo partido 

Por Redação

O suposto “pai de santo” que apareceu na convenção do PMDB em Brasília na última terça-feira (19) e deu um passe em Michel Temer não é reconhecido por representantes de religiões de matriz africana como um sacerdote dessas crenças. Roberval Batista de Uzêda, mais conhecido como “Pai Uzêda”, disse, na ocasião, que Temer foi vítima de um trabalho com vodu que tinha como objetivo matá-lo.

Para entidades como a União de Tendas de Umbanda e Candomblé do Brasil e a Associação de Ritos e Cultos Ancestrais no Brasil (Arcan), no entanto, Uzêda não tem legitimidade para atuar em nome dessas religiões.

“É uma figura folclórica que não é de hoje. Não é sacerdote reconhecido. Nenhum sacerdote sério agiria dessa forma. Fez uma coisa teatral. Se fosse sério, não falaria sobre recomendação espiritual a não ser que Temer fosse em uma consulta. Mesmo assim, do ponto de vista ético, não poderia tornar essa coisa pública”, afirmou ao jornal O Globo o babalawo Ivanir dos Santos. Para o religioso, esse tipo de gesto exercido por Uzêda, que é um velho conhecido dos políticos de Brasília, prejudica a imagem do Candomblé e da Umbanda diante da sociedade.

Quando Uzêda subiu no palco em que Temer faria um discurso, o peemedebista se mostrou surpreso, abriu os braços e se deixou ser benzido. Após a convenção, no entanto, o suposto pai de santo revelou que sua presença ali não era, necessariamente, uma surpresa. Ele afirma que foi à convenção a convite do PMDB e que o partido custeou sua hospedagem na capital federal. O hotel em que Uzêda ficou hospedado confirma. O partido de Temer, por sua vez, nega, mas não deu mais nenhum detalhe sobre como o homem teve acesso ao evento e ao palco em que Temer discursava.

 

 


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