“Ingraterra”: material didático da gestão Doria nas escolas tem erros grosseiros

"Calotas populares", ao invés de "calotas polares", é outro erro que consta em apostila usada nas escolas estaduais de SP; sindicato alerta para perda de autonomia dos professores

Distribuído pelo governo de João Doria (PSDB), o material didático utilizado em escolas da rede estadual em São Paulo contém erros grosseiros de ortografia. Este material é elaborado e revisado pela secretaria de Estado da Educação.

Em uma das apostilas a que Fórum teve acesso, por exemplo, professores e estudantes se depararam com a palavra “Ingraterra”, ao invés de Inglaterra.

Erro grosseiro em material didático das escolas estaduais de SP (Reprodução)

Em outra, calotas polares virou “calotas populares”.

Erro grosseiro em material didático das escolas estaduais de SP (Reprodução)

Há também, em um caderno de exercícios, uma atividade com palavras cruzadas impossível de ser feita.

Exercício de palavras cruzadas impossível de ser feito (Reprodução)

Reincidência

A deputada estadual Professora Bebel (PT-SP), presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), afirma que já há algum tempo que alunos e professores cobram a gestão Doria com relação a erros no material didático. Além disso, em 2019, o governo do tucano chegou a fazer propaganda da própria administração no material didático, situação que já havia sido observada em apostilas da rede municipal, quando Doria era prefeito.

Também em 2019, a gestão estadual mandou recolher apostilas que continham conteúdo que tratavam sobre diversidade sexual. Na ocasião, Doria afirmou que não toleraria “apologia à ideologia de gênero”, uma narrativa bolsonarista.

Com relação a erros de revisão, o problema já é antigo. Em 2008, por exemplo, uma apostila de Geografia da rede estadual, quando o governador era José Serra (PSDB), apresentava dois “Paraguais”.

“Essa é a situação da Educação paulista no Estado de São Paulo”, afirma a Professora Bebel. Segundo a deputada, esses erros estão ligados à falta de autonomia e participação dos professores na gestão escolar do estado.

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“Retira-se a autonomia dos professores, que são excluídos de qualquer participação na elaboração dos materiais didáticos, tarefa que o governo do Estado destina a empresas, sem supervisão, revisão e fiscalização. Os professores, que de fato entendem de Educação, são vistos como meros executores”, critica.

Secretaria lamenta erros

Fórum questionou a secretaria de Estado da Educação sobre os erros no material didático e, em nota enviada à reportagem, a pasta afirmou que “lamenta” a situação e que esses problemas já foram corrigidos.

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Confira, abaixo, a íntegra da nota.

“A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) lamenta que os materiais didáticos tenham sido distribuídos com erros ortográficos e de diagramação. Estes erros de revisão apresentados pela reportagem já foram corrigidos. A Seduc-SP enviou errata, via comunicado para toda a rede, informando sobre os erros e mostrando as informações corretas. Estes materiais são revisados por profissionais da área e por professores da rede que foram contratados para isso. Já a diagramação, impressão e distribuição são realizadas por empresas especializadas. Vale ressaltar que das mais de 44 mil páginas de material didático, poucos erros de digitação e diagramação foram encontrados”

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Ivan Longo

Jornalista, editor de Política, desde 2014 na revista Fórum. Formado pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Twitter @ivanlongo_

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