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21 de julho de 2018, 09h12

Inocente é preso no Rio por ser parecido com assaltante

Família de Antônio Carlos Rodrigues Júnior buscou investigou, descobriu que o verdadeiro criminoso já estava detido e informou a delegacia

Legenda: Antônio Carlos (à esquerda) foi confundido com o suspeito do crime, à direita, d acordo com a família (Foto: Reprodução/TV Globo)

Finalmente a Justiça autorizou a libertação de Antônio Carlos Rodrigues Júnior, de 43 anos, que foi preso por engano, por ser parecido com um ladrão. Entre as semelhanças, a polícia citou que os dois usavam óculos escuros. O verdadeiro assaltante já estava detido e a delegada não sabia, segundo o G1. Antônio Carlos foi preso há uma semana em sua residência, no bairro da Glória, por policiais que fizeram a identificação do suposto criminoso por fotos em redes sociais. O crime é o assalto ao Consulado da Venezuela, no Rio, no início de junho.

Os investigadores da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo apontaram, no pedido de prisão, uma semelhança de Antônio Carlos com o bandido que aparecia nas imagens do assalto. Os argumentos usados chamaram a atenção da família. O relatório indica que os dois tinham semelhança “na cor da pele, no formato do nariz e no formato da cabeça”. O relatório dizia, ainda, que “ambos são carecas, têm orelhas grandes, pontudas e voltadas para fora”. Os agentes também destacaram uma “forte semelhança” entre os dois quando usavam óculos escuros.

Mesmo assim, a consulesa da Venezuela reconheceu em um primeiro momento Antônio Carlos como um dos assaltantes. A família dele, revoltada, começou a investigar por conta própria. E descobriu que o verdadeiro bandido já estava até preso, em Bangu. “Tem duas pessoas presas pelo mesmo crime e pelo mesmo processo. Trouxemos essas informações à delegacia, a delegada apurou o fato e aí foi feito um novo reconhecimento em Bangu, da vítima, com o verdadeiro autor do fato e ela reconheceu ser ele o verdadeiro autor do crime que está sendo discutido”, informa a advogada Mitsi Rocha.

Antônio Carlos tem 43 anos. Trabalha como motorista de aplicativo. Tem um filho e um neto. “Se uma delegada assim pode fazer esse estrago todo na vida de várias pessoas, será que ela está capacitada para delegar uma delegacia? A gente tem que fazer um apelo agora para corregedoria da Polícia Civil para ver se enxerga isso e toma uma atitude. Ele é um filho, ele é um pai, ele é um avô, e ele tem que tocar a vida dele”, diz um irmão do motorista. A delegada Valéria Aragão, responsável pela prisão, não quis comentar.


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