Entrevista exclusiva com Lula
29 de novembro de 2019, 10h42

Inquérito contra brigadistas no Pará não tem provas, só convicções

Delegado José Humberto de Melo, que foi afastado do caso, usa até mesmo uma referência a fumar maconha na peça, que diz que brigadistas teriam vendido fotos e não que as imagens foram feitas justamente para comprovar o dinheiro recebido de ONGs para combater os incêndios na Amazônia, que tiveram grande repercussão mundial

Delegado José Humberto de Melo (terceiro da esquerda para a direita) (Foto: Polícia Civil do Pará)

Responsável pelas investigações que levaram à prisão dos voluntários Daniel Gutierrez Govino, João Victor Pereira Romano, Gustavo de Almeida Fernandes e Marcelo Aron Cwerner, da Brigada de Alter do Chão, no Pará, o delegado José Humberto de Melo, que foi afastado do caso, segue o modelo das investigações conduzidas pela Lava Jato contra o ex-presidente Lula, apontando uma série de convicções, sem apresentar prova alguma.

Em 111 páginas – divulgadas pelo site The Intercept nesta sexta-feira (29) – Melo afirma que dois dos presos, João Victor Pereira Romano e Gustavo de Almeida Fernandes, “se declararam, peremptoriamente, os responsáveis pela vasta queimada ocorrida em Alter do Chão, não restando dúvidas serem os prováveis autores do fato criminoso”, baseado em grampos feitos pela polícia.

A única menção, no entanto, é de uma conversa em que João fala em “nosso incêndio” lá, em referência aum dos locais em que o fogo estava sendo combatido pelos brigadistas.

O delegado ainda discorre em várias páginas que os brigadistas chegavam primeiro aos locais da queimada e que “toda a divulgação exagerada feita por estes em relação ao evento, ficando presumida a intenção de promoção” do grupo.

Para Melo, os brigadistas teriam arrecadado R$ 300 mil ao vender fotos das queimadas para Organizações Não Governametais (ONGs), como a WWF, e não que teriam recebido as doações justamente pela repercussão mundial dos incêndios na Amazônia que levou ongs e até governos a mandar dinheiro a grupos dispostos a combatê-los, de preferência formado por pessoas que já moravam no local e já trabalhavam com apagamentos de focos de incêndio há anos.

A própria WWF aparece no inquérito enviando mensagem aos brigadistas dizendo que não seria necessário fazer propaganda da ONG e que as imagens seriam necessárias apenas para comprovar aos financiadores que os recursos enviados foram usados.

A “prova”, para os policiais, é que o grupo filmava suas ações. O delegado ainda usa como referência uma conversa entre os brigadistas que ironizam em conversa informal o fotógrafo do grupo que seri o “que mais queima e apaga fogo do Amazonas”, referindo-se a uma gíria usada entre pessoas que fumam maconha.

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