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20 de agosto de 2019, 13h17

Jean Wyllys diz que sequestro de ônibus no Rio parece golpe de marketing perfeito

“Os filhos dos que agora aplaudem essa ação da polícia podem ser as próximas vítimas na hora de comprar as drogas ilícitas para a recreação do fim de semana”, tuitou o ex-deputado

Foto: Reprodução/Instagram Jean Wyllys

O ex-deputado federal pelo PSOL, Jean Wyllys, postou uma sequência de tuites para analisar o assassinato do homem que manteve reféns, em um ônibus no Rio de Janeiro, nesta terça-feira (20). O sequestrador, que estava usando uma arma de brinquedo, foi morto pela ação de snipers, o que levou à comemoração do governador Wilson Witzel.

Wyllys criticou a política de segurança pública adotada no Rio, no momento em que são denunciados os assassinatos de vários jovens, de origem humilde e negros, em sua maioria, pela truculenta da polícia de Witzel.

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Veja a sequência:

“O sequestro de ônibus feito por um homem com uma arma de brinquedo me parece o golpe de marketing perfeito para reabilitar a imagem e a popularidade de um governador abaladas por assassinatos de inocentes nas ações de sua polícia nas favelas”.

“Parece-me igualmente providencial ao golpe de marketing pra reabilitar imagem e popularidade de governador abaladas por assassinatos de jovens inocentes das favelas que o sequestrador de ônibus com arma de brinquedo tenha perfil social parecido com o dos inocentes assassinados”.

“E quando sabemos que essa história já ocorreu uma vez – inclusive foi transformada em documentário que deu fama e dinheiro a um cineasta – aí que o episódio se parece ainda mais com um golpe de marketing para reabilitar imagem e popularidade abaladas de governador truculento”.

“O pior da questão não é o uso do episódio, pelo governador e sua gente, para reabilitar sua imagem e popularidade abaladas por assassinatos de inocentes praticados por sua política ‘de segurança’. É usá-la para ‘justificar’ o extermínio num país onde pena de morte é ilegal”.

“E nunca se deve esquecer que esse governador e sua gente quebraram em público uma placa em homenagem a uma vereadora assassinada por milícias saídas dessa mesma polícia que vem matando inocentes na favela com a desculpa da ‘guerra contra as drogas’”.

“Para essa gente, a vida de um rapaz que sequestra um ônibus com uma arma de brinquedo não é nada. Eu só espero que a parte da classe média que agora lhe aplaude se lembre de que a violação do Estado de Direito não costuma ter limite quando desencadeada”.

“Os filhos dos que agora aplaudem essa ação da polícia – matar um sequestrador com arma de brinquedo num momento em que as ações dessa polícia estavam sendo contestadas – podem ser as próximas vítimas na hora de comprar as drogas ilícitas para a recreação do fim de semana”.


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