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04 de setembro de 2019, 12h19

Jornalista que denunciou “Dia do Fogo” no Pará sofre ameaças e diz que tem medo de morrer

Adécio Piran contou sofrer ameaças em grupos de Whatsapp e difamações em panfletos distribuídos na rua com a sua imagem

Queimadas na região Amazônica - Foto: Reprodução

O jornalista Adécio Piran, dono de um pequeno jornal em Novo Progresso (PA) e responsável por ter denunciado produtores rurais na organização do “Dia do Fogo” em sua cidade, contou sofrer ameaças em grupos de Whatsapp e difamações em panfletos distribuídos na rua com a sua imagem. “Tenho medo de morrer”, disse.

O município paraense onde mora fica há 1.650 km de Belém e é dominado por grupos de madeireiros. Piran contou que só nesta segunda-feira (2) conseguiu retomar o trabalho. Porém, precisou ser acompanhado de uma escolta da Polícia Militar. ​

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Piran não sai mais de casa à noite. “Tenho medo, sim, de morrer. As pessoas não são fáceis. A região é de muito problema”, declarou. O jornalista disse ainda que talvez interrompa provisoriamente a cobertura dos problemas ambientais e que não sabe se voltará a abordar o tema jornalisticamente.

A Polícia Civil do Pará já identificou o homem que teria feito as ameaças ao jornalista. De acordo com informações oficiais, Donizete Severino Duarte, administrador do grupo de WhatsApp denominado Direita Unida Renovada, foi ouvido e vai responder a processo em liberdade.

Novo Progresso registrou um aumento de queimadas de 300% por conta do “Dia do Fogo”, em 10 de agosto, o que resultou na formação de intensa fumaça no município. “Fizemos uma matéria para anunciar o que iria ocorrer. Esta área aqui é recordista em focos de incêndio. Essa divulgação ganhou proporções nacionais e internacionais”, disse o jornalista, em entrevista à Folha de S.Paulo.


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