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14 de fevereiro de 2020, 14h47

Jornalistas são presos ao tentar entrevistar fazendeiro que deu proteção a miliciano ligado a Flávio Bolsonaro

Repórteres tiveram o gravador apreendido. A ação acontece um dia depois da Revista Veja publicar imagens que apontam que a morte do miliciano não teria acontecido durante troca de tiros

Enquanto se encaminhavam para um endereço que seria ligado ao fazendeiro Leandro Abreu Guimarães – que abrigou o ex-PM Adriano da Nóbrega na Bahia até a morte do miliciano -, o repórter Hugo Marques e o repórter fotográfico Cristiano Mariz, da Veja, foram surpreendidos pela Polícia Militar.

Segundo a Veja, os profissionais apresentaram suas credenciais, mas mesmo assim foram obrigados a sair do carro, tiveram um gravador apreendido e tiveram que seguir a viatura dos oficiais até o distrito policial de Pojuca . “Como é que vocês descobriram esse endereço?”, questionaram os PMs diversas vezes.

Chegando na delegacia, policiais civis também fizeram questionamentos sobre o motivo da presença deles na cidade.

A Veja ainda relatou que um agente identificado como Sérgio Pinheiro disse que a detenção foi uma “medida de segurança”. “Eles estavam parados em frente à residência de uma testemunha desse caso aí”, explicou.

A revista publicou uma longa reportagem com fotos que indicam que a morte de Adriano da Nóbrega, ex-chefe da milícia Escritório do Crime, não teria ocorrido em meio a confronto policial. Legistas analisaram as imagens e concluíram que os ferimentos de bala foram realizados em curta distância, fortalecendo a hipótese de “queima de arquivo”.

“Pode ter sido uma troca de tiros? Pode. Pode ter sido uma execução? Pode. Qual é o mais provável? Com esse disparo tão próximo, o mais provável é que tenha sido uma execução. Mas tem de analisar com mais detalhes”, afirmou Malthus Fonseca Galvão, professor da Universidade de Brasília (UnB) e ex-diretor do Instituto Médico Legal do Distrito Federal. Ele entende que o disparo aconteceu em uma distância inferior a 40 cm.

Família Bolsonaro

O miliciano tinha uma relação próxima com o clã Bolsonaro. Ele chegou a ser homenageado duas vezes pelo então deputado estadual Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), foi defendido no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, pelo hoje presidente Jair Bolsonaro e ainda é investigado pelo esquema de rachadinhas no gabinete de Flavio na Alerj. A mãe e a esposa do miliciano foram empregadas como assessoras.

O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) chegou a fazer um “PowerPoint” expondo o elo de Nóbrega com os Bolsonaro. “As relações da família do presidente da República Jair Bolsonaro com Adriano da Nóbrega e as milícias têm que ser investigadas. Parentes de Adriano eram assessores fantasmas de Flávio e participaram da rachadinha. O próprio miliciano recebeu grana do esquema. É gravíssimo”, disse Freixo.

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