Jovem veste uniforme de faxineira da mãe durante formatura: “uma história de milhões de brasileiros”

“Ela é uma mulher nordestina, que veio para são Paulo, para sair da fome, da miséria. Acabou crescendo aqui, conseguiu trabalho, terminar os estudos. Ela merece de fato ser homenageada”, disse

A jovem Roberta Mascena, de 25 anos, colocou o uniforme de faxineira da mãe para homenageá-la durante a sua formatura na faculdade de Pedagogia em Santos, no litoral de São Paulo.

A mãe, Marlene Cordeiro de Oliveira, de acordo com reportagem de Mariane Rossi, no G1, é nordestina, faxineira que parou de estudar aos 13 anos, retomou os estudos com a ajuda da filha e pagou a faculdade dela.

“Quando eu estava na 8ª série, ajudei minha mãe a estudar. Ela cursava a EJA na Escola Barão do Rio Branco. Não sabia muito, mas ajudei no que pude. Lembro dela saindo superfeliz das provas de matemática porque tirava as notas mais altas da sala”, conta.

Após estudar em escolas públicas, Roberta resolveu cursar Pedagogia na Universidade Metropolitana de Santos. O pai taxista e a mãe faxineira conseguiram pagar os estudos da jovem com muito esforço até ela conseguir uma bolsa de estudos e concluir o curso.

Durante o único momento que os pais poderiam estar presentes, a sessão de fotos dos formandos, Roberta colocou o uniforme utilizado por Marlene durante o trabalho como faxineira, debaixo da beca.

Foto: Roberta Mascena

“Na hora que fomos tirar a foto, eu abri a beca, ela viu a roupa. Ela começou a chorar e me abraçou. Ela não falou nada porque eu acho que não tem palavras que possam expressar qualquer tipo de sentimento que ela teve naquele momento”, conta.

“É uma pessoa que a humanidade poderia conhecer e se apaixonaria por ela. Ela é uma pessoa incrível. Ela merece mais do que uma simples homenagem. A história da minha mãe é uma história dura, de milhões de brasileiros que viveram na miséria por muito tempo, uns tiveram sucesso conseguiram sair e outros não”, diz.

“Ela é uma mulher nordestina, que veio para são Paulo, para sair da fome, da miséria. Acabou crescendo aqui, conseguiu trabalho, terminar os estudos. Ela merece de fato ser homenageada por tudo que ela fez por mim, pelo meu irmão e pelo meu pai”, fala Roberta.

Com informações da repórter Mariane Rossi, no G1

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