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04 de março de 2018, 12h12

Lideranças do Acre debatem 30 anos sem Chico Mendes em São Paulo

Dercy Teles da Cunha e Osmarino Amâncio Rodrigues discutem os desafios da reforma agrária e da conservação ambiental na Amazônia; evento será na biblioteca Tapera Taperá, em São Paulo

A luta de Chico Mendes era pela permanência das famílias seringueiras em seus territórios, ao mesmo tempo em que a Amazônia tinha sua floresta derrubada e suas terras eram griladas pelos latifundiários do Centro-Sul do país – Foto: Divulgação

Dercy Teles da Cunha e Osmarino Amâncio Rodrigues, líderes acreanos do Movimento dos Seringueiros, participam de debate sobre os desafios da reforma agrária e da conservação ambiental na Amazônia, com mediação de Pietra Cepero Rua Perez. Em 22 de dezembro de 2018, 30 anos terão se passado desde o assassinato de Chico Mendes. Sua luta era pela permanência das famílias seringueiras em seus territórios, ao mesmo tempo em que a Amazônia tinha sua floresta derrubada e suas terras eram griladas pelos latifundiários do Centro-Sul do país.

Um dos principais resultados da luta dos seringueiros, entre os anos 1970 e 1980, foi a assinatura, em janeiro de 1990, da lei que criou as Reservas Extrativistas: surgia então, pela primeira vez, uma modalidade de reforma agrária associada a uma política de conservação ambiental.

A importância do modelo das Reservas Extrativistas estava na proposição de um novo paradigma para a manutenção da floresta “em pé” – principalmente para a Amazônia, que passava a ser concebida como “santuário ecológico”.

Passados quase três décadas da morte de Chico Mendes (e 28 anos desde a assinatura da lei que criou as Reservas Extrativistas), como vivem hoje as famílias seringueiras do Acre?

Sobre os debatedores

Dercy Teles da Cunha: acreana, nascida em Xapuri. Em 1980, com apenas 19 anos, tornou-se a primeira mulher presidente do STR de Xapuri. Nos anos seguintes, juntou-se ao Movimento de Educação Popular e passou a militar em Carauari (AM) com os seringueiros. Retornou para Xapuri nos anos 1990 para auxiliar no processo de criação da Reserva Extrativista Chico Mendes. Nos anos 2000, elegeu-se duas vezes presidente do STR de Xapuri. Hoje, é considerada uma das principais lideranças do movimento, que critica o avanço do latifúndio, a grilagem de terras, a expulsão das famílias camponesas e as violações e contradições da “economia verde” no estado do Acre.

Osmarino Amâncio Rodrigues: acreano, nascido em Brasiléia. Teve contato com movimento dos seringueiros na região do Alto Acre nos anos 1970, quando sua família foi expulsa do seringal no qual habitava. É considerado uma das lideranças mais próximas de Chico Mendes. Integrou o Conselho Nacional dos Seringueiros e foi responsável por fazer parte da equipe que negociou a criação das Reservas Extrativistas. Também foi presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Brasileia. Mora até hoje na Reserva Extrativista Chico Mendes e é considerado uma das principais lideranças que lutam pela questão agrária na Amazônia.

Pietra Cepero Rua Perez: geógrafa e mestranda em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP). Nos últimos seis anos vem realizando pesquisas com populações camponesas na Amazônia, tendo como objeto de estudo as questões agrária e ambiental na região. Em sua dissertação de mestrado, pesquisou a Reserva Extrativista Chico Mendes (Acre).

Serviço

Quando: terça-feira (6/3), às 19h

Onde: Tapera Taperá (Av. São Luiz, 187, 2º andar, loja 29 – Galeria Metropole), em São Paulo

Entrada gratuita.

Link do evento aqui.


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