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21 de agosto de 2017, 09h44

“Machismo Mata”, diz nota de associação sobre assassinato de juíza pelo marido delegado

O delegado Cristian Lanfredi, 42, que atuava na Assembleia Legislativa de São Paulo, matou Cláudia e depois se suicidou no apartamento do casal.

O delegado Cristian Lanfredi, 42, que atuava na Assembleia Legislativa de São Paulo, matou Cláudia e depois se suicidou no apartamento do casal.

Da Redação*

A Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) e a Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 2ª Região (Amatra) divulgaram nota para manifestar “indignação” pela morte da juíza Cláudia Zerati, titular da 2ª Vara do Trabalho de Franco da Rocha, assassinada pelo marido em Perdizes neste domingo (20). “O machismo mata”, diz o texto.

O delegado Cristian Lanfredi, 42, que atuava na Assembleia Legislativa de São Paulo, matou Cláudia e depois se suicidou no apartamento do casal.

Segundo o padrinho da filha do casal informou à polícia, o delegado chegou a deixar a menina de seis anos com ele após um desentendimento com a mulher por volta das 4h. Lanfredi voltou para a casa, em um prédio de alto padrão na Rua Tucuna, matou a mulher e se matou.

Vizinhos ouviram disparos por volta das 6h, foram até o apartamento, a porta estava aberta e eles encontraram o casal baleado e já morto. De acordo com o padrinho, a menina contou que os pais brigaram porque Lanfredi havia se recusado a tomar seu remédio. O delegado estava afastado do trabalho para tratamento. O caso foi registrado no 91º Distrito Policial.

A nota dos magistrados diz que repudia “os gritantes números de feminicídio que ainda grassam no Brasil, evidenciando uma realidade trágica que, agora, colhe a vida de uma juíza do Trabalho”.

“Em 2016, contabilizávamos 4,8 assassinatos a cada 100 mil mulheres, ocupando o 5º lugar no ranking mundial de países, quanto ao feminicídio. Pelos dados do Mapa da Violência 2015, dos 4.762 assassinatos de mulheres registrados no Brasil em 2013, 50,3% foram cometidos por familiares (33,2% pelo parceiro). O machismo mata. E as campanhas publicitárias de ocasião não bastam para contê-lo.”, diz a nota.

“À Magistratura do Trabalho da 2ª Região e à família de Cláudia Zerati, endereçamos as nossas sinceras condolências. Às autoridades policiais, pedimos uma rigorosa e pronta apuração dos fatos, para o rápido esclarecimento de todos os aspectos eventualmente nebulosos que ainda cerquem esse trágico episódio”, completa o texto.

O corpo de Cláudia será enterrado no Cemitério da Saudade, em Campinas, no interior do estado de São Paulo.

*Com informações do G1

Foto: Reprodução/Facebook

 


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