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13 de junho de 2020, 12h53

Mãe de Miguel diz que aceitou ser registrada em prefeitura de Tamandaré por medo de perder emprego

Em entrevista à revista Época, a trabalhadora doméstica Mirtes Renata Souza também disse que suspeita que seu filho pode ter sido empurrado: “Ele não escalaria duas muretas e cairia de lá sozinho”

Miguel e a mãe, Mirtes (Montagem)

A revista Época publicou neste sábado (13) uma entrevista com a empregada doméstica Mirtes Renata Santana de Souza, mãe do menino Miguel, de 5 anos, que faleceu no dia 2 de junho após cair do nono andar do edifício onde vivia a patroa de Mirtes, a socialite Sarí Corte Real – a patroa foi a principal responsável pela tragédia, ao ser negligente no cuidado do menino, que ficou sob sua responsabilidade, enquanto Mirtes passeava com os cachorros da família Corte Real, também por ordem de Sarí.

Na entrevista, Mirtes afirma que não está preparada para perdoar a ex-patroa. “Perdoá-la agora seria matar meu filho mais uma vez. Quero Justiça, quero que alguém assuma a minha dor”, disse a trabalhadora.

Mirtes também se referiu a outra polêmica envolvendo o seu caso, que é o fato de ela estar inscrita como funcionária da Prefeitura de Tamandaré – cujo prefeito é Sérgio Corte Real, marido de Sarí.

Perguntada sobre se sabia que estava envolvida em algo ilícito, ela disse que “sabia, sim, mas fiquei com medo de perder o emprego. Além disso, passamos a ter vantagens e um salário um pouco maior, chegando a 1,4 mil reais. Eu, por exemplo, passei a receber salário-família e outros tipos de gratificações. Também ficou subentendido que nós poderíamos perder o emprego caso não aceitássemos receber pela Prefeitura. Ocorreu assim: A dona Sarí chamou e deu um contrato para a gente assinar. Aí o nosso salário passou a cair diretamente na nossa conta”.

Sobre a responsabilidade na morte do filho, Mirtes desconfia que há algo que não está bem esclarecido na história, e disse que não descarta a hipótese de ele ter sido empurrado.

“Eu conheço o Miguelzinho. Quando ele sai do elevador e abre aquela porta de incêndio, ele entra naquele espaço como se tivesse visto alguém lá dentro. Meu sentimento de mãe diz isso. Sinto no meu coração. Meu filho era danadinho, mas já tinha noção de altura. Ele não escalaria duas muretas e cairia de lá sozinho, acredito. Queria que a perícia mostrasse se tem mais digitais naquele local. Mas isso não tira a responsabilidade da dona Sarí. Se ela tivesse tido paciência com o meu filho, a vida dele seria poupada”, analisa a trabalhadora.


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