Entrevista exclusiva com Lula
04 de novembro de 2019, 17h04

“Mais um guardião se foi”, lamenta Sonia Guajajara sobre assassinato de líder indígena do MA

"Nós seguimos firmes fortalecendo uns aos outros, umas às outras. Nós não vamos permitir que nosso povo siga morrendo por lutar pela vida de todo mundo", declarou a coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil

A líder indígena Sônia Guajajara - Foto: Reprodução

Sonia Guajajara, coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), publicou um vídeo nesta segunda-feira (4) lamentando o assassinato de Paulo Paulino Guajajara, líder indígena morto por madeireiros na sexta-feira. Segundo o cacique da região de Araribóia, Antônio Wilson Guajajara, Paulino sofria ameaças há anos.

“Mais um guardião se foi. Já foram vários do povo Guajajara que morreram por lutar contra essa exploração ilegal no nosso território. Essa exploração de madeira. Mas isso não pode continuar assim. É hora de dar um basta. Nós estamos na Europa justamente para denunciar isso […]. Nosso povo está ameaçado, está morrendo, está sendo criminalizado e hoje todo mundo que defende os territórios está nessa mira”, declarou a candidata à vice-presidência nas eleições de 2018 pelo PSOL, que está percorrendo a Europa na “Jornada Sangue Indígena: Nenhuma Gota a Mais”.

“Nós seguimos firmes fortalecendo uns aos outros, umas às outras. Nós não vamos permitir que nosso povo siga morrendo por lutar pela vida de todo mundo”, completou.

A APIB, que publicou o recado de Sonia, ainda destacou a relação do aumento da violência contra povos tradicionais e a chegada do presidente Jair Bolsonaro à Presidência. “O Governo Bolsonaro tem sangue indígena em suas mãos, o aumento da violência nos territórios indígenas é reflexo direto de seu discurso de ódio e medidas contra os povos indígenas do Brasil. É preciso dar um basta à escalada dessa política genocida contra os nossos povos indígenas do Brasil”, diz a entidade.

O caso

Paulo Paulino, que atuava como Guardião da Floresta denunciando o desmatamento ilegal, foi vítima de uma emboscada realizada por um grupo de cinco madeireiros na sexta-feira, que também deixou ferido o líder guardião da tribo, Laércio Guajajara. “Começaram a atirar, numa distância não muito longe, e aí ele [Laércio] foi tentando se esconder, mas foi atingido no braço e, quando se deu conta, que olhou pro lado, o Paulino já tinha sido alvejado no rosto e já estava no chão”, contou à Agência Pública o cineasta Taciano Brito, que conversou com Laércio após o caso.

 

 


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