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17 de julho de 2019, 23h20

Mangueira trará retorno de Cristo contra a intolerância no Carnaval de 2020

"Vamos falar sobre a figura política de Cristo e o que ela pregava: o amor irrestrito, que nos torna livres da intolerância e do preconceito. Essa é a verdade que liberta", disse o carnavalesco Leandro Vieira sobre o enredo que a Mangueira vai defender em 2020

Marielle viva no desfile da Mangueira, campeã do Carnaval (Repdorução)

A Estação Primeira de Mangueira, campeã do Carnaval do Rio de Janeiro de 2019 com um enredo sobre “a história que a história não conta”, anunciou que levará Jesus Cristo para a Sapucaí em 2020. Com “A verdade vos fará livre”, a escola vai se pautar em um enredo crítico com uma reflexão sobre a volta de Cristo em um mundo de intolerância.

“Ele condenaria a hipocrisia dos líderes religiosos e combateria o discurso de ódio. Vamos falar sobre a figura política de Cristo e o que ela pregava: o amor irrestrito, que nos torna livres da intolerância e do preconceito. Essa é a verdade que liberta. Porque não é amor o que faz alguém quebrar um terreiro de candomblé, como fizeram na semana passada [em Duque de Caxias, região metropolitana do Rio], né?”, disse o carnavalesco Leandro Vieira à jornalista Maria Fortuna, do O Globo.

Depois do emocionante desfile campeão de 2019, “História pra ninar gente grande”, que revisitou os heróis que não estão na “história oficial” e fez uma homenagem à vereadora Marielle Franco, brutalmente assassinada em 2018, o carnavalesco promete seguir com a linha crítica, sua marca na escola.

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“Tem gente que acha o carnaval um espetáculo profano, o que é um preconceito estrutural. Talvez seja porque o desfile é, em sua origem, ligado à comunidade negra e pobre do Rio. Nunca tratei meu carnaval como festa ou entretenimento. Num país onde a educação não é para todos, ele pode fazer refletir”, ponderou Leandro.

No universo proposto pelo jovem artista, Jesus, que nasceu pobre e humilde, será retratado como um morador do morro da Mangueira e lidará com questões de raça e gênero. “Quando Cristo esteve aqui, ficou do lado dos oprimidos e não fez distinção de pessoas. Será que Jesus não está no morador da favela? No menor abandonado? No gay? Na mãe de santo?”, disse.

Esse será o quinto ano de Leandro na verde-e-rosa, que já conquistou dois títulos. Além de 2019, o carnavalesco fez a Mangueira levantar o troféu em 2016, quando cantou Maria Bethania. Respeitado na escola, ele promoveu mudanças até mesmo na disputa da escolha do samba-enredo para 2020, com o objetivo de diminuir a influência econômica e garantir maior participação da comunidade.

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