Marco Aurélio se refere a Nunes Marques como “novato” e dispara: “Está assanhado”

Declaração à CNN Brasil do decano do STF foi feita como comentário à decisão do ministro indicado por Bolsonaro de liberar cultos religiosos em pleno auge da pandemia

O ministro decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, criticou nesta terça-feira (6) seu colega de Corte, Nunes Marques, pelo fato do ministro, no último sábado (3), ter atendido a uma associação de juristas evangélicos e liberado a realização de missas e cultos religiosos presenciais em pleno auge da pandemia do coronavírus no Brasil.

“Vamos rezar em casa. O melhor altar é o lar”, disse Marco Aurélio, que ainda se referiu a Nunes Marques, que foi indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro, como “novato”. “O novato está assanhado, está se sentindo”, diparou.

As declarações foram dadas em entrevista à jornalista Basília Rodrigues, da CNN Brasil.

O ministro ainda rebateu uma fala de Nunes Marques, que afirmou ser “hipocrisia” manter celebrações religiosas coletivas proibidas. “Não é hipocrisia, mas realidade”, disse o decano.

A liberação determinada de forma monocrática pelo “novato” passará ainda por uma análise do plenário do STF após divergência do ministro Gilmar Mendes, que analisou uma outra ação e proibiu a realização das cerimônias coletivas. O julgamento da questão deve acontecer nesta quarta-feira (7).

Em entrevista à Fórum, Marcos Jair Ebeling, Pastor Sinodal do Sínodo Sudeste da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, disse que a decisão de Nunes Marques é um “equívoco” e o ordenamento jurídico de que a restrição para a realização de cultos estaria ferindo a liberdade religiosa, que baseou a decisão, não o contempla.

“A minha liberdade religiosa ou a livre manifestação da Igreja Luterana não está cerceada ou violada por conta da não realização de cultos presenciais no auge da pandemia. Ela continua sendo possível como sempre foi por outras formas e meios, os virtuais sobretudo”, afirmou.

O pastor argumenta que é “equivocada a compreensão de que a manifestação de Deus se dá, exclusivamente, no altar dos templo”. “Invocá-lo em casa, numa oração e culto familiar, é tê-lo presente e presença. Deus não está vinculado a espaços específicos. Ele é Onipresente”, pontuou ainda.

Confira a íntegra da entrevista aqui.

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Ivan Longo

Jornalista e repórter especial da Revista Fórum.