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03 de dezembro de 2019, 11h20

Massacre em Paraisópolis: CNBB expressa solidariedade às famílias por este “grave golpe mortal e sangrento”

"Não é ético nem patriótico que os recursos humanos e materiais sejam instrumentalizados para ferir e eliminar a vida e a dignidade de cada ser humano", diz o texto, em crítica à política de segurança "atirar para matar" do governador paulista João Doria (PSDB)

Jovens assassinados no massacre de Paraisópolis - Foto: Montagem

A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nesta terça-feira (3) uma nota em que expressa “fraternal solidariedade da Igreja Católica às famílias atingidas por este grave golpe mortal e sangrento”, sobre o massacre conduzido pela Polícia Militar de São Paulo que assassinou 9 jovens na comunidade de Paraisópolis, na zona sul da capital paulista.

A nota ainda critica de forma indireta a política de segurança de “atirar para matar” do governador João Doria (PSDB), referindo-se à “ausência de recursos materiais e políticas públicas indispensáveis ao bem-estar, fraternidade e sociabilidade”.

“Não é ético nem patriótico que os recursos humanos e materiais sejam instrumentalizados para ferir e eliminar a vida e a dignidade de cada ser humano”, diz o texto.

Leia a íntegra da nota da CNBB

Nota do Regional Sul 1 da CNBB sobre a morte de jovens em Paraisópolis

“Ele há de julgar as nações e arguir numerosos povos; estes transformarão suas espadas em arados e suas lanças em foices: não pegarão em armas uns contra os outros e não mais travarão combate” (Is 2,4).

Nós, Bispos do Regional Sul 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), diante da triste e assustadora notícia da grave ocorrência em Paraisópolis, na Cidade de São Paulo, na madrugada deste 1° de dezembro, em que nove jovens perderam suas vidas e vários outros foram feridos, queremos manifestar nosso lamento pelos atos violentos que resultaram nesta tragédia.

Tendo em nossos corações os mesmos sentimentos de Jesus Cristo, repudiamos toda forma de violência, manifestação de ódio e desrespeito à vida.

De modo particular, expressamos a fraternal solidariedade da Igreja Católica às famílias atingidas por este grave golpe mortal e sangrento, que dilacerou seus corações. Reafirmamos nossa opção preferencial pela juventude fazendo ecoar, nesta lamentável circunstância, o grito de milhões de jovens excluídos do direito à educação, ao trabalho, ao lazer e acesso aos bens culturais deste País.

Nas periferias dilaceradas pela ausência de recursos materiais e políticas públicas indispensáveis ao bem-estar, fraternidade e sociabilidade, em que se partilhe a vida com alegria e segurança, compreendemos que nossos jovens pobres e carentes procurem, a seu modo e como podem, oportunidades de lazer e encontro. Cumpre a todas as pessoas de boa vontade e senso ético, particularmente nas instâncias políticas responsáveis pelos aparatos de segurança do Estado, propiciar a todos, principalmente à população mais vulnerável, oportunidades e projetos eficazes que visem à superação da violência e das desigualdades econômicas e sociais. Não é ético nem patriótico que os recursos humanos e materiais sejam instrumentalizados para ferir e eliminar a vida e a dignidade de cada ser humano.

A Igreja católica reafirma seu propósito e compromisso com a evangelização da juventude, na convicção que, providos dos mais nobres sentimentos e valores familiares, culturais, religiosos e humanos, os jovens trilharão caminhos de justiça e cidadania, livres das circunstâncias que conduzem à violência e à morte.

Que a mensagem de amor e a paz, celebrada no Natal que se aproxima, seja o horizonte de esperança nos caminhos da juventude e da sociedade brasileira. E que Jesus Cristo renasça em nossos corações.

Dom Pedro Luiz Stringhini – presidente

Dom Edmilson Amador Caetano – vice-presidente

Dom Luiz Carlos Dias – secretário

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