Médico bolsonarista preso por assédio no Egito cobrava até R$ 2 mil por consulta ilegal em Portugal

Victor Sorrentino não tem diploma de medicina validado no país europeu

O médico bolsonarista Victor Sorrentino, preso no Egito após ter assediado uma vendedora muçulmana, atendia pacientes em Portugal sem ter o diploma de medicina validado no país europeu. Segundo informações de Giuliana Miranda, na Folha de S.Paulo, cada consulta custava até 350 euros, o que equivale a cerca de R$ 2.100.

Sorrentino divulgava seus atendimentos em Lisboa e no Porto por meio de suas redes sociais. Além disso, segundo a reportagem, o médico tinha uma área em seu site dedicada para o agendamento de consultas no país europeu. A página foi tirada do ar após questionamentos.

A Ordem dos Médicos, entidade que regula o setor, confirmou que Sorrentino não está entre os profissionais registrados em Portugal. Com isso, ele não pode exercer a medicina no país.

Além de oferecer consultas ilegais no exterior, o médico se promovia nas redes sociais como cirurgião plástico. Contudo, a especialidade não consta em seus registros profissionais. O cadastro de Sorrentino no Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) e no Cremers (Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul) consta com “especialidade não definida”.

Denúncia de assédio

No dia 24 de maio, Sorrentino publicou nas redes sociais um vídeo fazendo uma “piada” misógina e assediando uma mulher muçulmana. As imagens foram gravadas durante sua viagem ao Egito.

A funcionária de uma loja explicava a ele como são produzidos os papiros, materiais semelhantes ao papel utilizados pelos antigos egípcios para escrever. “Elas gostam é do bem duro. Comprido também fica legal, né?”, disse o médico à atendente, aos risos. “O papiro comprido”, completou.

Victor foi preso no dia 30 e, momentos antes, gravou um vídeo chorando. O Ministério Público do Egito acusa Sorrentino de assédio sexual verbal, violação da vida privada e violação dos princípios e tradições familiares da sociedade egípcia.

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Luisa Fragão

Jornalista.

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