Mesmo após mostrar nota fiscal, jovem negro é acusado de roubo em loja no Rio

Eles jogaram seus pertences no chão. Nada foi encontrado e o rapaz questionou os seguranças: "só porque eu sou preto?"

Um dia antes do caso de João Alberto, assassinado por seguranças de uma unidade do Carrefour em Porto Alegre, outro homem negro foi vítima de injustiça, dessa vez em Duque de Caxias (RJ). Mesmo após mostrar nota fiscal da compra, encarregado de supermercado Fernando Silva dos Santos foi acusado injustamente, por seguranças, de roubar um par de sapatos nas lojas Di Santinni.

João contou, em entrevista ao RJ1, que havia acabado de receber seu salário e foi até a loja para comprar uma mochila nova. Depois de efetuar o pagamento, ele colocou seus pertences dentro do produto e saiu usando. Logo em seguida, Fernando foi abordado pelos seguranças que o acusaram de ter roubado um par de sapatos.

Ele afirma ainda que, mesmo depois de apresentar a nota fiscal aos vigilantes, eles abriram sua mochila e jogaram tudo no chão. Nada foi encontrado e o rapaz conta que questionou a conduta dos seguranças: “só porque eu sou preto?”, disse.

O encarregado de supermercado procurou a polícia e registrou o caso na 59ª DP. APolícia Civil informou, em nota, que “as investigações estão em andamento para apurar todas as circunstâncias do fato. Todos os procedimentos de praxe estão sendo adotados”.

A Di Santinni repudiou o caso e afirmou estar averiguando o caso para que o fato não se repita.

Leia a nota na íntegra:

“A Di Santinni repudia veemente qualquer ato de racismo, injúria ou ofensa moral dentro e fora de nossos estabelecimentos. Na última quarta-feira, dia 18/11/2020, em frente a uma de nossas lojas, nosso cliente foi abordado por seguranças do Calçadão de Duque de Caxias. Estamos entrando com um pedido de averiguação junto aos responsáveis, para que fatos como esse nunca mais aconteçam. Já nos colocamos à disposição do cliente, através de contato telefônico do Presidente da Di Santinni, para prestar total assistência perante o caso. Pedimos desculpas a todos pelo ocorrido. Continuaremos seguindo forte contra qualquer tipo de discriminação”.  

Com informações do Meia Hora

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Julinho Bittencourt

Jornalista, editor de Cultura da Fórum, cantor, compositor e violeiro com vários discos gravados, torcedor do Peixe, autor de peças e trilhas de teatro, ateu e devoto de São Gonçalo - o santo violeiro.