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22 de dezembro de 2019, 18h30

Milícias da Baixada Fluminense, no RJ, adotam ritual de iniciação com decapitação

Investigação aponta que o número de desaparecimentos tem aumentado na região à medida que grupos paramilitares se estabelecem

Um dos cemitérios clandestinos encontrados pelas investigações da DHBF | Foto: Divulgação/Polícia Civil

Assassinatos, decapitações, esquartejamentos e enterros em cemitérios clandestinos estão entre as práticas adotadas por grupos milicianos da Baixada Fluminense do Rio de Janeiro em rituais de iniciação de novos integrantes. O crescimento dos paramilitares na região ainda aumentou o número de pessoas desaparecidas. Segundo a polícia, a prática tem como objetivo eliminar desafetos sem deixar rastros.

Reportagem especial do jornalista Herculano Barreto Filho para o Uol, mostra detalhes de uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro e do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre a expansão das milícias na Baixada Fluminense, localizada na Região Metropolitana do Rio.

Iniciação

Entre as revelações trazidas pela matéria está um ritual adotado pelos milicianos, que arrastou um homem que supostamente teria roubado um pássaro da quadrilha para um sítio usado como cemitério clandestino do grupo “Os Sete”. Já no local, a responsabilidade de assassinar o homem de 49 anos foi de um novato do grupo. Ele teve que matar o homem a facadas e depois decapitá-lo.

“Depois de aceito no grupo, o novato precisa passar por um ritual de ingresso, que inclui decapitação ou esquartejamento. Não foi um caso isolado. Encontramos corpos de várias vítimas que comprovam essa prática macabra”, revelou o delegado Leandro Costa, da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF).

O caso ocorreu na cidade de Queimados, a 5ª com o maior número de homicídios no Brasil segundo o Atlas da Violência. Em 2018, o município fluminense apareceu no topo da lista.

Dos assassinatos aos desaparecimentos

A reportagem ainda revela dados analisados pela investigação que mostra que o número de assassinatos na Baixada disparou no ano de 2017, quando os milicianos avançaram com vigor sobre a região, divulgando listas de quem seria morto por eles com o objetivo de expulsar rivais. Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), foram 1.784 crimes violentos letais intencionais naquele ano – mais de cinco mortes por dia.

Em 2019, já com a região controlada, o cenário é diferente. O número de assassinatos registrados pela polícia caiu enquanto os desaparecimentos cresceram. Segundos Luiz Antônio Ayres, promotor do MP-RJ, os paramilitares agora buscam atuar de forma mais discreta para não chamar atenção das autoridades. “Já no território, os milicianos não querem deixar rastros. Aí, as pessoas começam a desaparecer. Mas esses dados não são tratados como um problema de segurança pública e não despertam a atenção das autoridades”, alertou.

O delegado Leandro Costa também tem o mesmo entendimento. “Quando a milícia mata, ela deixa a sua marca. Depois que se estabiliza, passa a agir com mais discrição. Aí, diminuem os índices de homicídio e aumentam os de desaparecimentos”, disse.

Confira a reportagem completa no Uol


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