Motorista expulsa racistas de Uber com porrete: “Evangelho”

Mecânico de manutenção, Roberto Gomes de Carvalho relatou no Facebook que expulsou dois racistas após um deles se referir a João Alberto, assassinado no Carrefour, como "macaco". "Segue foto minha com o evangelho", escreveu ao posar com porrete

O mecânico de manutenção Roberto Gomes de Carvalho, que também trabalha como Uber, relatou na madrugada deste sábado (21) que expulsou dois racistas que levava em seu carro após um deles chamar João Alberto Silveira Freitas, homem negro que foi brutalmente assassinado em uma loja do Carrefour em Porto Alegre, de “macaco”.

“Passei a noite fazendo uber… Dois babacas entraram no carro e apesar de gostar muito de rocknroll deixo nas radios alpha, antena 1, 89.7 ou cbn… E baixo… Em respeito aos clientes, so musica ambiente. Nesse momento estava na cbn, falava sobre o ASSASSINATO do cliente no carrefour. Sou branco, minha mae é negra, mas e dai? A luta é de todos. Apos alguns kms 1 deles pediu que desligasse o radio, desliguei, meio a contra gosto, o outro perguntou porque? O primeiro respondeu, só se fala desse macaco e dai? Nao aguento mais”, escreveu Roberto.

Na sequência, ele avisou que estava encerrando a corrida e pediu que os dois rapazes descessem do carro. O que cometeu o ato racista teria perguntado o motivo e Roberto diz ter mostrado a ele o “evangelho”, um porrete que carrega no automóvel.

“Parei o carro e pedi que descessem porque estava encerrando a corrida. Um ficou quieto, o outro, exatamente oque fez o comentario quiz explicaçoes. Bem, vcs me conhecem, peguei meu evangelho e a minha constituiçao e mostrei a eles e perguntei se queria mesmo que explicasse. Foram embora numa boa…. Viram como violencia nao resolve nada. Segue foto minha com o evangelho”, relatou.

https://www.facebook.com/roberto.gomescarvalho.14/posts/1453200608218529

A publicação viralizou nas redes e na manhã deste domingo (22) já tinha mais de 11 mil curtidas e 6,7 mil compartilhamentos. Diante da repercussão, Roberto voltou à rede e rebateu as declarações de que o João Alberto tinha passagem pela polícia dizendo que ele também tem duas: uma por levantar a voz com uma médica que falava ao celular em vez de atender seu pai, que tinha suspeita de infarto, e outro contra um médico que se recusou atender a mãe, que teve um ataque de convulsão.

“Tenho 24 anos de registro em carteira com mecanico de manutençao e sempre tive dois empregos… Inclusive agora sou uber tambem.
Se eu discutisse com alguem no mercado e nao abaixasse a cabeça, poderia ser espancado ate a morte e ainda iriam comentar sobre minha ficha criminal? Acho que nao , sabem porque? Porque sou branco”, relatou.

https://www.facebook.com/roberto.gomescarvalho.14/posts/1453691681502755
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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.