Entrevista exclusiva com Lula
03 de julho de 2019, 18h28

Movimento negro denuncia deputado que incentivou execuções em discurso na Alesp

“É uma vergonha nós perdermos três policiais, um garoto alvejado na cabeça, e não fazermos uma operação para matar dez. A resposta por um policial morto são dez ladrões mortos”, declarou o deputado estadual Sargento Neri, policial da reserva

Sargento Neri (à esquerda) - Foto: Arquivo Pessoal

A União de Núcleos de Educação Popular para Negras e Negros (Uneafro) apresentou denúncia contra o deputado estadual Sargento Neri (Avante). Segundo a entidade, o policial da reserva feriu o decoro parlamentar ao incitar, publicamente, a prática de crime.

Durante reunião da Comissão de Segurança Pública e Assuntos Penitenciários, no dia 25 de junho, Neri pediu para que a Polícia Militar organizasse operações para executar dez pessoas, depois do assassinato de algum agente da corporação, de acordo com informações do Brasil de Fato.

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“É uma vergonha nós perdermos três policiais, um garoto alvejado na cabeça, e não fazermos uma operação para matar dez. A resposta por um policial morto são dez ladrões mortos. É o mínimo. Da Polícia Militar que eu venho, nós não entregávamos uma viatura para a outra equipe enquanto não se pegasse o ladrão. Nós não faríamos o velório do policial enquanto não estivesse no necrotério o corpo do ladrão. Isso é fato, isso é guerra”, afirmou na Alesp.

Neri também criticou o comando das polícias em São Paulo. “Eu dei aula para formação de soldados por quase 12 anos. Quando eu comecei a perder meus alunos, eu parei de dar aulas. Eu não formei aluno para morrer, eu formei aluno para matar e sobreviver. Hoje, o que nós temos é um comandamento (sic) fraco e um secretário de segurança fraco, nós precisamos de homens na Polícia Militar, Polícia Civil e secretaria que entendam de segurança pública”, acrescentou.

Para a Uneafro, “o deputado Sargento Neri confessa crimes que ele próprio e sua corporação cometeram no momento da atribuição de suas funções policiais. Confessa, com suas declarações, que orientou seus formandos à prática sistemática da vingança e de execuções sumárias extrajudiciais e mais que isso, deixa a entender que ele próprio, em suas mais de duas décadas de trabalho como agente do estado, também promoveu execuções sumárias extrajudiciais”.

Posicionamento

A entidade pede “o imediato posicionamento por parte da Secretaria de Segurança Pública; abertura imediata de investigação acerca dos trabalhos realizados pelo ex-sargento, em seu período de trabalho junto à Polícia Militar do estado de São Paulo; bem como um levantamento de sua ficha de ocorrências; levantamento de sua possível participação em homicídios; bem como levantamento da possível participação de seus alunos em homicídios; e o levantamento do status de investigação de cada um destes possíveis homicídios”.

Além disso, a Uneafro solicita, ainda, “o posicionamento da SSP e do gabinete do governador em relação à política de formação dos agentes policiais e o quanto há de verdade na afirmação proferida pelo ex-sargento de que há uma formação dirigida e orientada para a prática da vingança e de execuções sumárias extrajudiciais; orientações e procedimentos adotados pela PM paulista e seu comando, em sua atribuição ordinária e cotidiana”.

Processo disciplinar

Pede, ainda, a “instalação imediata, por arte da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, de processo disciplinar em sua Comissão de Ética para avaliar possível quebra de decoro parlamentar e crime de incitação à violência, com possível e consequente cassação de mandato do referido parlamentar.

E, finalmente, exige “retratação publica imediata, por parte do referido parlamentar, se é que não foi sua intenção orientar deliberadamente as forças policiais a agirem fora da lei, transcendendo as funções constitucionais da Polícia Militar, provocada que foi a julgar, condenar e executar a pena capital, proibida em nosso país”.

A denúncia foi encaminhada ao governador do Estado de São Paulo, João Doria, e ao Secretário de Estado da Segurança Pública; Secretário Chefe da Casa Militar e Coordenador da Defesa Civil do Estado; ao Procurador-Geral de Justiça do Estado de São Paulo; Ouvidoria das Polícias do Estado de SP; à Presidência da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e à Presidência da Comissão de Segurança Pública e Assuntos Penitenciários da Alesp.

Veja aqui a denúncia da Uneafro

 


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