Mulher descobre ser ‘presidente da República’ ao pedir auxílio emergencial

Capixaba teve benefício emergencial negado pelo governo por ocupar cargo segundo informações na Carteira de Trabalho Digital

De acordo com reportagem da Tv Gazeta, Adeyula Dias Barbosa Rodrigues, desempregada desde o ano passado, teve o pedido do auxílio emergencial negado por ter dois empregos em aberto na Carteira de Trabalho Digital. Um deles, para surpresa dela, é de  presidente da República’ pela Secretaria de Estado de Educação (Sedu). Também consta que ela é auxiliar de secretaria pela Prefeitura de Vila Velha.

Esse é mais um dos erros na base de dados da Dataprev para estabelecer quem pode receber o benefício do governo, o que está deixando vários trabalhadores de fora do programa.

Adeyula trabalhou, de fato,na Sedu. Ela era cuidadora infantil e teve seu contrato encerrado em 2019. Antes disso, ela atuava como auxiliar de secretaria pela Prefeitura de Vila Velha. Apesar de o vínculo ter sido interrompido, a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), uma das bases usadas na análise do auxílio emergencial, não foi atualizada.

Buscando resolução, ela entrou em contato com RH da prefeitura, mas ninguém atendeu. Tentou a Ouvidoria, mas eles a mandaram de volta para o RH, que seguiu não atendendo. Ela também tentou contato com a Sedu para entender porque o cargo dela na carteira de trabalho está “presidente da República”, mas lá também não tinha ninguém.

Na Adeyula é casada e seu marido está empregado. Ele está responsável por todas as despesas de da família, que conta também com dois filhos pequenos. O marido teve o salário reduzido por conta da crise sanitária e o auxílio emergencial ajudaria a família a se manter.

Adeyula contou que o problema não é exclusivo dela: “Temos um grupo no Whatsapp com pelo menos sete pessoas que estão na mesma situação que a minha. Elas trabalhavam, foram exoneradas, mas na Rais continuam como se estivessem trabalhando”.

A Sedu se pronunciou por uma nota: “A opção ‘Presidente da República’ não existe no sistema da secretaria de Educação. Mesmo o cadastro não tendo sido feito pela Sedu, a equipe se coloca à disposição da ex-servidora para buscar a retificação junto ao Ministério do Trabalho dessa informação.”, diz o texto. A nota informa também que o cadastro dos servidores na secretaria não é feito na Carteira de Trabalho, mas no sistema da Sedu, onde o cargo da servidora consta como cuidadora.

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Clara Averbuck

Escritora e jornalista, autora de 9 livros.

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Renato Rovai
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